A rivalidade entre Flamengo e Palmeiras, uma das mais acirradas do futebol brasileiro nos últimos anos, ganhou um novo capítulo fora das quatro linhas. Os dois clubes protagonizam uma troca de críticas envolvendo decisões da arbitragem e da Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), após a denúncia apresentada contra o meia Maurício.

O caso teve início depois que a Procuradoria do STJD denunciou o jogador palmeirense em razão de uma cotovelada no zagueiro Cacá, do Vitória-BA, durante a vitória do Palmeiras por 4 a 0 pelo Campeonato Brasileiro. A denúncia foi baseada no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de jogada violenta e prevê punição de um a seis jogos de suspensão. O julgamento está marcado para a próxima terça-feira.

Em nota oficial, o Palmeiras contestou a decisão da Procuradoria, classificando a denúncia como "incompreensível". O clube argumenta que o lance foi analisado tanto pelo árbitro Alex Gomes Stefano quanto pela equipe do VAR, que entenderam ser cabível apenas a aplicação de cartão amarelo.

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Na avaliação da diretoria alviverde, a instauração de um processo disciplinar após a análise da equipe de arbitragem coloca em dúvida a autoridade das decisões tomadas durante a partida. O clube também questionou a uniformidade dos critérios adotados pela Procuradoria, citando lances envolvendo Erick Pulgar, do Flamengo, e Raniele, do Corinthians, que, segundo o Palmeiras, apresentariam características semelhantes, mas não resultaram em denúncia.

Ainda na nota, o clube afirmou que situações semelhantes deveriam receber tratamento igual por parte da Justiça Desportiva, questionando por que apenas Maurício foi denunciado.

A manifestação do Palmeiras levou o Flamengo a divulgar uma resposta oficial. Citado pelo rival, o clube carioca afirmou que existe, entre torcedores, profissionais do futebol e parte da opinião pública, a percepção de que o Palmeiras teria sido beneficiado por decisões da arbitragem ao longo dos últimos anos.

Para sustentar esse posicionamento, o Flamengo mencionou um levantamento do Espião Estatístico, do portal ge, segundo o qual, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, até o Campeonato Brasileiro de 2026, o Palmeiras acumula 65 decisões alteradas a seu favor, 47 decisões contrárias e um saldo positivo de 18 intervenções, além de liderar o número total de revisões realizadas pelo árbitro de vídeo.

A troca de manifestações teve novo desdobramento neste domingo (2). Antes da partida entre Palmeiras e Fortaleza, válida pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, a presidente do clube paulista, Leila Pereira, voltou a comentar o episódio durante entrevista à TV Palmeiras.

A dirigente afirmou que não compreendeu por que o Flamengo decidiu se manifestar sobre uma discussão que, segundo ela, dizia respeito exclusivamente ao Palmeiras. Durante a entrevista, ironizou a nota divulgada pelo clube carioca ao afirmar que "a carapuça serviu" e classificou como descabida a alegação de que o Palmeiras seria o clube mais favorecido pela arbitragem.

Leila também relembrou a final da Copa Libertadores da temporada passada, vencida pelo Flamengo por 1 a 0, em Lima, no Peru. Na ocasião, o Palmeiras contestou a atuação do árbitro argentino Dario Herrera, alegando que o volante Erick Pulgar deveria ter sido expulso após um lance envolvendo Bruno Fuchs.

A troca de posicionamentos entre os dois clubes reacende o debate sobre os critérios adotados pela arbitragem e pela Justiça Desportiva no futebol brasileiro, tema que segue em evidência diante de decisões que frequentemente geram interpretações divergentes entre dirigentes, atletas, torcedores e especialistas.

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