Uma decisão da 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou que o ex-governador do estado Sérgio Cabral pague R$ 1 milhão por danos morais coletivos, além de uma multa correspondente a 12 vezes sua última remuneração como governador.

A condenação está relacionada a um esquema de benefícios irregulares que, segundo o entendimento dos desembargadores, teria sido estruturado dentro do sistema penitenciário para favorecer Cabral durante o período em que permaneceu preso.

Entre os benefícios identificados no processo estão a entrada e utilização de equipamentos e objetos que não seriam permitidos nas unidades prisionais, além de visitas realizadas em desacordo com as regras estabelecidas.

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Estrutura irregular dentro das unidades

De acordo com a investigação, as irregularidades ocorreram durante o período em que Cabral esteve custodiado na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, e na Penitenciária de Bangu 8, entre 2016 e 2018.

O conjunto de apurações apontou problemas nos mecanismos de controle das unidades, incluindo falhas no registro de entradas e saídas e no sistema de câmeras.

Também foram identificados equipamentos, alimentos e outros objetos que teriam ingressado irregularmente nos estabelecimentos prisionais. Entre os itens mencionados estão televisão de 65 polegadas, aparelho de home theater, colchão, equipamentos de musculação e eletrodomésticos.

Segundo o relator do processo, desembargador Caetano Ernesto da Fonseca Costa, os envolvidos teriam ocultado atos oficiais e criado obstáculos à fiscalização. Na avaliação apresentada no julgamento, as condutas comprometeram princípios relacionados à impessoalidade e à confiança da sociedade no sistema penitenciário.

Suposta doação foi usada para justificar equipamentos

Outro ponto destacado no processo envolve um documento que atribuía a uma igreja a doação de equipamentos destinados ao ex-governador. A instituição, porém, negou ter realizado a doação.

A investigação apontou que o documento teria sido utilizado para conferir aparência de regularidade à entrada dos equipamentos no sistema prisional.

Além de Cabral, seis agentes públicos também foram condenados por participação no esquema. Entre eles está o ex-secretário de Administração Penitenciária Erir Ribeiro Costa Filho, além dos agentes Alex de Lima Carvalho, Fabio Ferraz Sodré, Sauler Antonio Sakalen, Fernando Lima de Farias e Nilton Cesar Vieira da Silva.

Os condenados ocupavam funções de gestão na Secretaria de Administração Penitenciária ou nas unidades prisionais envolvidas.

Para os seis agentes, a decisão estabeleceu multa equivalente a cinco vezes a última remuneração recebida nos respectivos cargos, além do pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos para cada um. Os valores destinados à reparação coletiva deverão ser encaminhados ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

Trajetória judicial de Cabral

Sérgio Cabral foi preso em novembro de 2016, durante a Operação Calicute, em investigação relacionada a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos do governo do Rio de Janeiro.

O ex-governador permaneceu preso por aproximadamente seis anos em decorrência de condenações em processos derivados da Lava Jato.

Em dezembro de 2022, o Supremo Tribunal Federal revogou sua última prisão preventiva. Atualmente, Cabral responde aos processos em liberdade e está submetido a medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

Até a publicação do material de origem, a defesa de Sérgio Cabral não havia sido localizada para manifestação.

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