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A continuidade do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) em um modelo capaz de acelerar a chegada de infraestrutura digital a regiões ainda desassistidas voltou ao centro das discussões sobre conectividade no país.
O tema é defendido em artigo publicado no JOTA por Marcos Ferrari, que sustenta a necessidade de preservar o chamado Fust Direto, mecanismo que permite às empresas de telecomunicações aplicar parte dos valores destinados ao fundo em projetos previamente submetidos às regras de política pública e à aprovação do Conselho Gestor do Fust.
Segundo os dados apresentados no artigo, a execução dos recursos ganhou velocidade a partir de 2023. Desde então, mais de 19,5 mil escolas públicas teriam recebido conexão à internet, enquanto 3.679 localidades e 679 favelas passaram a contar com cobertura de telefonia. O levantamento também aponta a conexão de quase 2 mil unidades básicas de saúde.
O avanço da infraestrutura escolar aparece entre os principais resultados citados. De acordo com os números apresentados por Ferrari, aproximadamente 75% das quase 138 mil escolas públicas brasileiras já dispõem de acesso à internet, e quase 90% das escolas conectadas desde 2023 teriam sido alcançadas por meio do Fust Direto.
O desafio para os próximos anos
A discussão ganhou maior urgência diante da previsão de encerramento da possibilidade de utilização do mecanismo a partir de janeiro de 2027. O artigo defende a aprovação do PLP 230/2025, que prevê, entre outras medidas, a extensão do Fust Direto até 2031 e restrições ao contingenciamento dos recursos já aprovados pelo Conselho Gestor.
Os números de execução ajudam a dimensionar a mudança apontada pelo autor. Conforme os dados apresentados, o volume aplicado em projetos do Fust passou de R$ 220 milhões, em 2023, para R$ 1,08 bilhão, em 2025 — crescimento de aproximadamente cinco vezes no período.
A proposta defendida no artigo mantém a possibilidade de utilização de até 50% dos valores recolhidos ao Fust por meio do mecanismo direto. Na avaliação apresentada, isso poderia representar aproximadamente R$ 2,5 bilhões destinados a novos projetos de conectividade, abrangendo escolas públicas, unidades de saúde e áreas com atendimento insuficiente.
O argumento central é que a velocidade de aplicação dos recursos pode fazer diferença justamente nas regiões onde a infraestrutura digital ainda não acompanha as necessidades da população. Para além do acesso à internet, a conectividade pode ampliar o uso de ferramentas educacionais, serviços de saúde à distância e outras soluções associadas à transformação digital.
Recursos arrecadados e finalidade pública
Outro ponto abordado por Ferrari é a discussão sobre os efeitos fiscais do Fust. O artigo sustenta que o fundo é financiado por contribuição do próprio setor de telecomunicações e possui destinação estabelecida em lei.
Nessa perspectiva, o contingenciamento dos recursos não significaria redução da carga para as empresas responsáveis pelo recolhimento, mas a retenção de valores que, segundo o autor, deveriam cumprir uma finalidade específica: ampliar o acesso aos serviços de telecomunicações.
O artigo também compara o volume do Fust com o orçamento federal. Segundo os dados apresentados, mesmo o montante de R$ 1,284 bilhão aprovado pelo Conselho Gestor para 2026, maior valor histórico citado no texto, corresponde a aproximadamente 0,02% do Orçamento Geral da União.
A defesa da continuidade do mecanismo, portanto, está associada à ideia de transformar um fundo historicamente marcado pela baixa execução em instrumento permanente de política pública voltado à inclusão digital.
Para o autor, a experiência dos últimos anos demonstra que a articulação entre recursos públicos e investimentos privados pode acelerar a expansão da infraestrutura. O setor de telecomunicações, que realiza investimentos bilionários anualmente, passa a atuar, nesse modelo, em conjunto com os recursos direcionados à universalização.
O debate sobre o futuro do Fust, nesse contexto, ultrapassa a discussão sobre a execução orçamentária e alcança uma questão cada vez mais presente na agenda nacional: como garantir que o acesso à conectividade avance também entre as populações e regiões que permanecem à margem da transformação digital.
A continuidade ou não do Fust Direto deverá determinar, nos próximos anos, parte importante da capacidade de utilização desses recursos para novos projetos de conectividade.
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