A organização da Copa do Mundo Feminina de 2027, programada para ocorrer no Brasil, enfrenta um cenário de incerteza após a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) anunciar, nesta quinta-feira, 30 de julho, um boicote irrestrito a todas as competições chanceladas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). A medida drástica foi motivada pela proposta da entidade máxima do futebol global de vender participações acionárias de seus torneios para investidores privados.

A decisão da confederação europeia foi tomada de forma unânime por suas 55 federações nacionais filiadas e tem impacto imediato. O posicionamento atinge não apenas o torneio principal de 2027 no território brasileiro, mas também a Copa do Mundo Feminina Sub-20, agendada para setembro deste ano na Polônia, que contaria com a participação de seis seleções do continente europeu.

Coalizão internacional e os termos do boicote

O movimento de rejeição à iniciativa privada da Fifa ganhou adesão de outras forças do futebol mundial. A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) manifestaram apoio formal à postura da Uefa. Em nota oficial, a entidade europeia condicionou o retorno de suas seleções ao descarte definitivo do plano de privatização.

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"Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja totalmente abandonada e sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada", declarou a Uefa em comunicado.

Até o momento, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), que engloba a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), não emitiu pronunciamento oficial sobre o racha institucional. O impasse também gera dúvidas sobre a Copa do Mundo Masculina de 2030, cuja candidatura conjunta tem Portugal e Espanha como sedes europeias, ao lado de Marrocos.

Valores bilionários e acusação de coação

O plano proposto pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, prevê a captação de um pacote financeiro estimado em US$ 10 bilhões a partir de 1º de janeiro de 2027. Para garantir o apoio político das 211 associações-membro da Fifa na votação do Conselho Executivo, a entidade ofereceu repasses individuais de US$ 40 milhões para cada federação que ratificar o projeto até o dia 19 de setembro.

Caso a proposta seja rejeitada pelas associações, o fundo de distribuição retornará ao patamar original de US$ 2,7 bilhões, o que reduziria a quota de cada país para cerca de US$ 10 milhões. A estratégia de redução orçamentária em caso de negativa foi duramente criticada pela Uefa, que classificou a conduta da direção da Fifa como um "ato governamental baseado em intimidação e coação", contestando o caráter democrático do processo decisório.