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O ovo branco abriu julho em Santa Maria de Jetibá cotado a R$ 141,40 a caixa com 30 dúzias, segundo levantamento do Cepea divulgado nesta semana. O vermelho está em R$ 160,50. Os preços permanecem estáveis em relação aos dias anteriores, mas o setor entra no mês com cautela. Julho é historicamente o período de maior pressão sazonal sobre as cotações de ovos no Brasil, e o maior polo produtor do país acompanha de perto o que vem pela frente.
O mecanismo é simples e previsível. Nas férias escolares, as famílias mudam a rotina: viajam, comem fora de casa com mais frequência e reduzem o consumo doméstico. O ovo, proteína presente no café da manhã e nas refeições do dia a dia, sente essa retração de demanda de forma direta.
Ao mesmo tempo, a oferta segue estável, as galinhas continuam produzindo independente do calendário escolar. Com mais produto disponível e menos procura, os preços tendem a recuar. É um movimento que se repete ano a ano com regularidade, e que o produtor capixaba que não planeja acaba sentindo no caixa.
O contexto de 2026 adiciona uma camada de atenção. O ano começou com o ovo a R$ 82,99 em Santa Maria de Jetibá, o menor patamar para o mês em seis anos, pressionado pela queda de demanda das férias do verão e pela oferta elevada.
Em fevereiro, a Quaresma e a volta às aulas puxaram uma recuperação expressiva de 97%, com a caixa chegando a R$ 163,52. Desde então, os preços se acomodaram em torno de R$ 140-160, patamar sustentável, mas significativamente abaixo dos R$ 236 registrados no pico de 2025, quando a crise de gripe aviária nos Estados Unidos elevou a demanda internacional e impulsionou as exportações capixabas.
Santa Maria de Jetibá responde por 91,3% da produção de ovos do Espírito Santo e lidera o ranking nacional de produção municipal. O estado produz 5,26 bilhões de ovos por ano e é o quarto maior produtor nacional, com 8% da produção brasileira.
A estrutura produtiva capixaba é sólida, mas a dependência do mercado interno é grande. Ainda que as exportações tenham dado um salto histórico em 2025, com crescimento de 1.275% em valor impulsionado pela crise americana, elas representam apenas 1,5% da produção total. Os outros 98,5% precisam ser absorvidos pelo mercado doméstico e em julho, esse mercado respira mais devagar.
Para o produtor capixaba, é o momento de monitorar o estoque, ajustar o ritmo de venda e não empurrar volume para o mercado numa janela em que a demanda naturalmente recua. Quem conseguir segurar parte da produção até agosto, quando as aulas voltam e a rotina familiar se normaliza, tende a comercializar em condições melhores. A sazonalidade do ovo não é surpresa: é um dado que se repete todo ano e que o produtor organizado já incorpora no planejamento do segundo semestre .
Stefany Sampaio
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