Chega o período eleitoral e, com ele, reaparece uma cena já conhecida do eleitor brasileiro. Candidatos voltam às ruas, distribuem abraços, apertos de mão, beijos nas crianças e uma extensa coleção de promessas, muitas delas capazes de resolver, ao menos no discurso, problemas que permanecem à espera de solução durante anos. Surgem compromissos com novas emendas parlamentares, asfaltamento de bairros, expansão da energia elétrica no interior, internet para comunidades rurais e tantas outras melhorias que parecem estar sempre ao alcance de uma assinatura.

Prometer, afinal, é uma das tarefas mais fáceis da política. Cumprir é que exige trabalho.

É justamente por isso que o eleitor precisa olhar para além do período eleitoral. Convém distinguir aqueles que se aproximam da população quando necessitam do voto daqueles que permaneceram presentes durante o mandato, ouvindo demandas, acompanhando problemas e assumindo responsabilidades. Respeito, compromisso e disposição para servir não deveriam obedecer ao calendário das eleições.

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Há, ainda, um tipo particularmente curioso de discurso político: aquele que observa a pobreza de determinadas regiões e a reduz à falta de recursos financeiros, como se a condição econômica fosse suficiente para definir o valor de um povo. Mais preocupante é quando se tenta convencer a população de que discursos bem elaborados podem substituir trabalho, presença e resultados. Retórica pode conquistar atenção; dificilmente, porém, substitui aquilo que só a realidade é capaz de comprovar.

Em Colatina, algumas posturas também merecem reflexão. Há aspirantes a representantes públicos que parecem administrar o próprio futuro político com uma confiança singular: antes mesmo de conquistar o voto, já se comportam como se o mandato lhes tivesse sido entregue. É uma espécie de vitória antecipada — curiosamente proclamada antes que o eleitor tenha oportunidade de decidir.

Pode parecer apenas uma questão de estilo, mas não é. A maneira como alguém trata as pessoas quando ainda precisa conquistar sua confiança oferece, naturalmente, uma indicação sobre a maneira como poderá tratá-las depois de alcançar uma posição de poder. Quem pretende representar a sociedade precisa compreender que a autoridade pública não transforma ninguém em superior aos demais; ao contrário, aumenta a responsabilidade de quem a recebe.

A humildade, portanto, não é sinal de fraqueza. É uma qualidade elementar de quem deseja exercer uma função pública. O mandato não pertence ao político que o conquista, mas ao cidadão que, por meio do voto, lhe confere temporariamente a responsabilidade de representá-lo. Quem deseja representar o povo precisa, antes de tudo, respeitar o povo.

E há outro aspecto que não deveria ser esquecido: a relação com a imprensa. O jornalismo cumpre uma função que ultrapassa a simples divulgação de informações. Cabe à imprensa acompanhar atos públicos, questionar decisões, registrar posições, cobrar explicações e permitir que a sociedade conheça aquilo que seus representantes fazem — ou deixam de fazer.

É muito fácil lembrar da imprensa quando ela oferece espaço para críticas ao prefeito, ao governador ou ao presidente de ocasião. Também é conveniente procurar jornalistas quando há um adversário político a ser questionado. O verdadeiro teste de respeito ao jornalismo, entretanto, aparece quando a pergunta deixa de favorecer quem fala e passa a incomodá-lo.

Valorizar a imprensa apenas quando ela serve para atingir o adversário que está no poder não é propriamente reconhecer a importância do jornalismo; é reconhecer a utilidade que ele pode ter para determinado interesse. A imprensa não deve existir para servir a governos, partidos, candidatos ou grupos políticos. Sua função é informar a sociedade, inclusive quando a informação não agrada a quem está sendo questionado.

Da mesma forma, jornalista não deve ser tratado como instrumento de promoção pessoal, assim como eleitor não pode ser visto como plateia de campanha. O cidadão não está obrigado a aplaudir candidatos, e a imprensa não está obrigada a reproduzir discursos sem questionamento. Ambos exercem, em uma democracia, papéis que pressupõem liberdade, responsabilidade e respeito.

O voto continua sendo uma das mais importantes ferramentas de transformação à disposição do cidadão. É por meio dele que a população escolhe quem deverá ocupar espaços de representação e, consequentemente, responder por suas decisões diante da sociedade. Por isso, antes de acreditar em promessas, é prudente observar atitudes; antes de se impressionar com discursos, convém olhar para a trajetória; e, antes de entregar confiança, vale perceber como o candidato se comporta quando não há urna por perto.

Afinal, a humildade não deveria ser uma estratégia eleitoral, assim como o respeito não deveria ter prazo de validade. O compromisso com o cidadão não começa no primeiro dia de campanha e tampouco deveria terminar quando desaparece a necessidade de conquistar votos.

No fim, permanece uma pergunta simples, talvez justamente por isso incômoda:

CADÊ A HUMILDADE?

O eleitor merece respeito antes, durante e depois das eleições.

Jadir Rodrigues (JR)
Diretor do Jornal Nova Geração
"A VERDADE DOS FATOS"

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FONTE/CRÉDITOS: Jadir Rodrigues (JR) - Diretor do Jornal Nova Geração