A Apex Partners pediu ao Ministério Público do Espírito Santo que seja requerida à Justiça a prisão preventiva do empresário Fernando Cinelli, ex-presidente da companhia. O pedido integra uma notícia de fato encaminhada à Promotoria Criminal de Investigação e permanece sob sigilo. Entre as suspeitas apontadas pela empresa estão possíveis crimes de apropriação indébita, utilização não autorizada de bens ou recursos corporativos e lavagem de dinheiro.

A prisão, contudo, não foi decretada.

Além da medida cautelar mais severa, a Apex solicita que sejam adotadas outras restrições contra o empresário, entre elas a retenção de seus dois passaportes, a proibição de deixar o país, o monitoramento por tornozeleira eletrônica e a vedação de contato com funcionários, ex-diretores e auditores relacionados ao grupo.

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A empresa também requereu medidas de investigação e preservação patrimonial, incluindo busca e apreensão de celulares, computadores, documentos e registros bancários vinculados a Cinelli, além de bloqueio criminal inicial de R$ 5 milhões.

Segundo informações do Ministério Público do Espírito Santo, a documentação apresentada pela empresa foi encaminhada ao Ministério Público Federal em 25 de agosto. Após examinar o caso, a Promotoria de Justiça Criminal de Vitória entendeu que a apuração estaria inserida na esfera de competência do MPF.

O Ministério Público Federal, por sua vez, informou que o procedimento tramita sob sigilo e, por isso, não poderia fornecer detalhes adicionais. Em nota, confirmou a existência de inquérito policial instaurado na Polícia Federal envolvendo a Apex Partners.

De acordo com o MPF, a investigação apura, inicialmente, suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional previstos na Lei nº 7.492. A apuração está sob competência da Justiça Federal, conforme previsto no artigo 109, inciso VI, da Constituição Federal.

Movimentações financeiras são apontadas pela empresa

A solicitação apresentada pela Apex tem como um dos fundamentos uma apuração interna sobre 348 lançamentos financeiros realizados entre janeiro de 2022 e 3 de agosto de 2026.

Conforme os dados apresentados pela companhia, empresas pertencentes ao grupo teriam transferido aproximadamente R$ 33,24 milhões para Cinelli no período analisado. As devoluções feitas pelo empresário às sociedades somariam cerca de R$ 5,86 milhões, resultando, segundo a empresa, em saldo líquido de aproximadamente R$ 27,37 milhões.

A Apex afirma ter identificado movimentações para as quais não foram localizados contratos, atas ou autorizações que justificassem cerca de R$ 17,23 milhões.

Ainda segundo a companhia, os valores teriam aumentado de maneira significativa nos meses que antecederam o afastamento de Cinelli. Entre janeiro e o início de agosto de 2026, o empresário teria recebido R$ 18,14 milhões, montante que, de acordo com a empresa, corresponde a quase quatro vezes o total registrado ao longo de 2025.

Uma das operações destacadas pela Apex envolve uma transferência de R$ 900 mil realizada em 23 de julho, menos de duas semanas antes da identificação das inconsistências apontadas pela companhia.

O material também registra que a Justiça já determinou o bloqueio inicial de R$ 5 milhões e a quebra do sigilo bancário do ex-presidente.

Empresa aponta risco de interferência na apuração

Ao fundamentar o pedido de prisão preventiva, a Apex sustenta que a repetição das movimentações, a elevação dos valores e a possibilidade de comprometimento de provas justificariam a adoção da medida.

A empresa afirma ainda que Cinelli teria conhecimento detalhado dos sistemas, contas, funcionários e da estrutura do grupo, formado, segundo a própria Apex, por aproximadamente 180 empresas.

Na avaliação apresentada pela companhia, a permanência do empresário em liberdade poderia representar risco à preservação de elementos ainda não localizados ou possibilitar a repetição das supostas irregularidades.

Outro argumento apresentado diz respeito à capacidade financeira de Cinelli e à sua dupla cidadania, brasileira e italiana. A própria Apex reconhece, entretanto, que a cidadania estrangeira, isoladamente, não seria suficiente para demonstrar risco de fuga, pedindo que o fator seja analisado em conjunto com os demais elementos apresentados.

Defesa rejeita suspeitas e contesta pedido

A defesa de Fernando Cinelli classificou o pedido de prisão como descabido e afirmou que a iniciativa da Apex teria como objetivo induzir a Justiça e a sociedade capixabas a erro.

Em nota, os advogados rejeitaram as suspeitas de apropriação de recursos e lavagem de dinheiro e sustentaram que a divulgação do pedido antes de uma manifestação do empresário ou das autoridades seria especialmente grave.

A defesa também afirmou que Cinelli tem interesse no esclarecimento dos fatos e contestou a forma como as acusações vêm sendo apresentadas.

O caso permanece sob investigação, e não há, até o momento, decisão judicial que tenha decretado a prisão preventiva de Fernando Cinelli ou estabelecido conclusão definitiva sobre as suspeitas apresentadas pela Apex.

JORNAL NOVA GERAÇÃO
“A VERDADE DOS FATOS”