O Laboratório Cristália apresentou resultados preliminares de uma pesquisa brasileira que busca desenvolver uma vacina contra a dependência de nicotina. O projeto foi apresentado na última quinta-feira (27), em Jaguariúna (SP), e ainda está em fase pré-clínica.

A proposta utiliza o sistema imunológico para produzir anticorpos capazes de se ligar à nicotina no sangue. A intenção é impedir que a substância atravesse a barreira cerebral e, dessa forma, reduzir a resposta associada à liberação de dopamina, mecanismo relacionado à sensação de prazer provocada pelo cigarro.

O estudo experimental foi realizado com ratos e contou com três aplicações da formulação, administradas com intervalo de aproximadamente um mês. Segundo a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Gisele Zapata-Sudo, responsável pelo modelo experimental, todos os animais imunizados apresentaram soroconversão, ou seja, formação de anticorpos.

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Os resultados completos ainda não foram divulgados pelo laboratório. A empresa afirma que a pesquisa deverá passar por outras etapas pré-clínicas, envolvendo duas espécies animais, antes de um eventual pedido de autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estudos em seres humanos.

Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Cristália, afirmou que a expectativa é avançar nas etapas de desenvolvimento e, caso os resultados sejam favoráveis, iniciar testes clínicos em até dois anos.

O projeto foi concebido como uma possível ferramenta complementar ao tratamento do tabagismo. O fundador do Cristália, médico Ogari Pacheco, destacou que a proposta não pretende substituir as terapias existentes.

Enquanto a pesquisa avança, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, com acompanhamento clínico, grupos de apoio e medicamentos, conforme indicação profissional.

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