A perspectiva de uma oferta mais apertada deve alterar significativamente o equilíbrio do mercado internacional de cacau na safra 2026/27. Projeção da StoneX indica que o excedente global da commodity poderá ficar em apenas 25 mil toneladas métricas, volume muito inferior às 422 mil toneladas estimadas para a safra 2025/26. O novo ciclo está previsto para começar em outubro.

O principal fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, cenário que levou a consultoria e corretora a incorporar de maneira mais explícita o risco climático em suas estimativas. Segundo a StoneX, projeções recentes apontam para uma probabilidade crescente de um evento dessa magnitude, com potenciais efeitos principalmente sobre a produção da África Ocidental.

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, aparece entre os países mais afetados pela revisão. A StoneX projeta uma redução de 11% na produção, que deverá chegar a aproximadamente 1,77 milhão de toneladas. Para Gana, a estimativa aponta queda de 10%, para 585 mil toneladas.

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A avaliação da consultoria também considera sinais observados nas principais áreas produtoras. Relatórios recentes apontaram contagens de frutos abaixo do nível considerado normal para este período do ano, reforçando uma perspectiva mais cautelosa para o próximo ciclo de produção. Antes da revisão, a StoneX trabalhava com um excedente de 149 mil toneladas para a safra 2026/27.

De acordo com a StoneX, estudos anteriores realizados pela própria consultoria indicam que episódios de El Niño podem enfraquecer a trajetória da produção mundial de cacau, especialmente na África Ocidental. A avaliação acrescenta um componente de incerteza às projeções para o próximo ciclo e reduz significativamente a margem de oferta esperada para o mercado.

Enquanto Costa do Marfim e Gana enfrentam revisões negativas, o Equador aparece em uma posição diferente. A estimativa é de manutenção da produção em 600 mil toneladas na safra 2026/27. Caso a projeção se confirme, o país poderá assumir a segunda posição entre os maiores produtores mundiais, ultrapassando Gana.

A StoneX avalia ainda que investimentos maiores nos cuidados com as lavouras poderão ajudar o Equador a compensar eventuais impactos provocados pelo El Niño. O cenário, portanto, permanece condicionado à evolução das condições climáticas e ao desempenho das principais regiões produtoras ao longo do próximo ciclo.

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