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O ex-pugilista Yamaguchi Falcão, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, relatou ter sido abordado por policiais militares na noite de terça-feira (28), em Lagoa de Jacaraípe, na Serra. Segundo o atleta, durante a abordagem, ele teria sido acusado de dirigir sob efeito de álcool.
Atualmente trabalhando como motorista de aplicativo, Falcão afirmou que seguia para casa após deixar um passageiro quando foi parado por quatro policiais militares. De acordo com o relato do ex-boxeador, os agentes teriam determinado que ele saísse do veículo e permanecesse encostado em uma parede durante a abordagem.
Segundo Falcão, os policiais não teriam permitido que ele se identificasse inicialmente e teriam feito questionamentos sobre o local onde mora, além de perguntarem se ele estaria sob efeito de álcool ou drogas.
“Foi uma situação muito triste e bruta que passei ontem. Acho que a polícia tem que abordar, procurar pessoas, mas a maneira como fui abordado foi bruta. Não deixaram eu me identificar. O problema maior foi que quando eu desci do carro, tinha quatro armas apontadas para mim”, afirmou o ex-pugilista.
Durante a abordagem, conforme o relato, um dos policiais também teria questionado o modelo do veículo utilizado por Falcão para realizar corridas de aplicativo e solicitado acesso ao celular para verificar a última viagem realizada.
“Um deles me perguntou: ‘Você está bêbado?’ Eu disse que não bebo. Então, ele falou: ‘Se você não está bêbado, usou uma droga muito forte’. Eu disse que não bebo, não fumo e nem uso drogas. Depois de revistar meu carro, ele perguntou por que eu usava aquele modelo para rodar de aplicativo e para eu abrir o aplicativo para ver a última corrida”, relatou Yamaguchi Falcão.
Após a conversa com os policiais, o ex-atleta informou que foi liberado para seguir viagem. Segundo ele, chegou a solicitar a realização do teste do bafômetro, mas os militares teriam informado que o procedimento não seria feito.
Apesar das críticas à forma como ocorreu a abordagem, Falcão afirmou que não houve agressão física ou outro tipo de intimidação por parte dos policiais durante a ocorrência.
Suspeita teria relação com alteração na fala
O ex-pugilista afirmou acreditar que a suspeita levantada pelos policiais pode ter sido motivada por uma característica relacionada à sua fala. Segundo ele, possui apraxia da fala, condição que faz com que sua comunicação seja mais lenta ou apresente uma pronúncia considerada “arrastada”.
“Acredito que foi por conta da minha fala. Eu tenho um filho autista, acredito que tenha um grau de autismo. Eu tenho apraxia da fala, então falo arrastado, um pouco embolado. Isso que foi a grande chave para falarem que estava bêbado, mas eles hora nenhuma pediram meu documento, isso que foi complicado”, declarou.
A Polícia Militar foi procurada para comentar o caso, mas, até o momento da publicação, não havia encaminhado resposta. A reportagem poderá ser atualizada caso a corporação apresente um posicionamento.
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