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A negociação para a venda da SAF do Vasco ao empresário Marcos Lamacchia entrou formalmente na esfera de análise da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol). O órgão instaurou um procedimento para examinar se a operação pode representar conflito de propriedade em razão da relação familiar de Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras e da Crefisa.
Enquanto a apuração estiver em andamento, a agência determinou medidas cautelares que restringem a relação entre Vasco, Palmeiras e Crefipar, conglomerado financeiro ligado a Leila Pereira e que inclui a Crefisa.
Na prática, o clube carioca fica impedido de realizar com o Palmeiras negociações de jogadores, operações financeiras ou compartilhamento de estruturas, profissionais e informações consideradas sensíveis. Também ficam suspensas relações entre o Vasco e a Crefisa, inclusive operações de crédito.
A decisão foi tomada pela Segunda Turma de Julgamento da Anresf após uma diligência iniciada pela área técnica da agência em junho. A análise considera documentos apresentados pelo próprio Vasco relacionados à proposta de investimento firmada com Lamacchia.
O ponto central da investigação é verificar se a operação se enquadra nas restrições estabelecidas pelo regulamento de Fair Play Financeiro da CBF. Segundo a norma mencionada no procedimento, o artigo 86 impede que uma mesma pessoa física ou jurídica mantenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube.
A questão ganhou relevância diante da estrutura familiar envolvendo o potencial comprador. Marcos Lamacchia é filho do empresário José Lamacchia, casado com Leila Pereira, que ocupa a presidência do Palmeiras até o fim de 2027. Leila também preside a Crefisa.
A Anresf, contudo, ainda não decidiu se esse vínculo é suficiente para caracterizar o conflito previsto na regulamentação. Essa é justamente uma das questões que serão examinadas no procedimento instaurado nesta quarta-feira.
As medidas cautelares foram adotadas de forma preventiva, segundo a decisão, para evitar que eventuais atos praticados durante a análise produzam consequências esportivas ou financeiras que posteriormente não possam ser desfeitas.
A relação entre os envolvidos já vinha sendo acompanhada pela agência. Em julho, o Flamengo havia encaminhado um ofício solicitando que a Anresf analisasse a operação e impedisse a transferência da SAF do Vasco para Lamacchia.
Outro ponto considerado pela agência é a relação financeira existente entre Vasco e Crefisa. A instituição emprestou R$ 80 milhões ao clube no ano anterior e aparece como garantidora no acordo de investimento firmado entre o Vasco e Lamacchia.
O advogado André Sica, representante de Marcos Lamacchia na negociação, afirmou anteriormente que já mantinha tratativas com a Anresf e demonstrou confiança na continuidade da operação. Segundo ele, o grupo estaria disposto a adotar eventuais soluções determinadas pela entidade responsável pela fiscalização.
O Vasco foi comunicado sobre a abertura do procedimento na noite de quarta-feira. O Palmeiras, a Almirante Participações, empresa investidora de Lamacchia, e a Crefipar também receberam a notificação. Embora não figurem como partes do procedimento, essas empresas e o clube paulista poderão apresentar manifestação, caso desejem.
Até o momento, portanto, a Anresf não concluiu que exista irregularidade na negociação. O procedimento terá justamente a finalidade de esclarecer se a estrutura da operação e os vínculos existentes entre os envolvidos são compatíveis com as regras de propriedade e influência estabelecidas para o futebol brasileiro.
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