A morte da estudante capixaba Manoela Vilela Ferreira de Lima, de 19 anos, chamou a atenção para um tipo raro de câncer que pode permanecer sem sintomas por meses. A jovem enfrentava um tumor na glândula adrenal esquerda, descoberto no fim de 2025, e morreu no último dia 19 de julho após meses de tratamento.

Segundo especialistas, o câncer da glândula adrenal, também conhecida como suprarrenal, tem baixa incidência — cerca de um caso por milhão de habitantes por ano — e costuma apresentar sintomas inespecíficos ou, em alguns casos, nenhum sinal nas fases iniciais. Essa característica pode atrasar o diagnóstico e reduzir as chances de tratamento precoce.

A oncologista clínica Juliana Alvarenga explica que a glândula adrenal é responsável pela produção de hormônios essenciais ao funcionamento do organismo. Dependendo do tipo de tumor, pode haver excesso de produção hormonal, provocando alterações importantes, enquanto outros casos evoluem de forma silenciosa.

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Entre os principais sinais de alerta estão hipertensão de difícil controle, crises de palpitação acompanhadas de suor intenso e dor de cabeça, ganho de peso associado à fraqueza muscular, queda inexplicada dos níveis de potássio, dores no abdômen ou nas costas e alterações hormonais. A orientação é procurar atendimento médico caso esses sintomas persistam ou piorem.

No caso de Manoela, os primeiros sintomas surgiram em novembro de 2025 e, inicialmente, foram atribuídos ao estresse do vestibular. O diagnóstico do tumor veio apenas no mês seguinte e, durante uma cirurgia realizada em fevereiro deste ano, foi constatado que a doença já havia atingido o fígado.

Em entrevista, a mãe da jovem afirmou que decidiu compartilhar a história para conscientizar outras famílias sobre a importância de insistir na investigação médica quando os sintomas persistirem. O alerta reforça que a identificação precoce pode fazer diferença no tratamento e no prognóstico da doença.