O deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES) defende que facções criminosas brasileiras, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sejam enquadradas como organizações terroristas. A posição foi reafirmada pelo parlamentar em recente entrevista, na qual abordou os desafios impostos pela expansão do crime organizado e a necessidade de ampliar os instrumentos de enfrentamento às facções.

Na avaliação de Evair, a dimensão alcançada por esses grupos ultrapassa as fronteiras brasileiras e exige uma resposta compatível com sua capacidade de articulação. O parlamentar considera que a atuação transnacional das organizações criminosas tornou insuficiente, em determinados aspectos, a compreensão tradicional do fenômeno exclusivamente como criminalidade organizada.

A posição do deputado também se relaciona à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, medida que entrou em vigor em junho deste ano. O tema provocou repercussões diplomáticas e passou a integrar os debates no Congresso Nacional sobre segurança pública, soberania e cooperação internacional.

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Evair já havia levado a questão ao Legislativo por meio de requerimentos de informação dirigidos ao Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em junho, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou requerimento de sua autoria solicitando informações sobre os efeitos da classificação adotada pelos Estados Unidos e as providências que poderiam ser tomadas pelo governo brasileiro. Em resposta a um desses questionamentos, o Ministério da Justiça afirmou que uma eventual classificação das facções como organizações terroristas no Brasil dependeria de alteração da legislação. A pasta também sustentou que os instrumentos previstos na legislação de combate ao crime organizado seriam suficientes para o enfrentamento das facções. O debate ganhou ainda uma dimensão diplomática. Em documento encaminhado ao Congresso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a classificação realizada pelos Estados Unidos poderia produzir consequências para o Brasil e mencionou a possibilidade de uso de força militar norte-americana em território brasileiro. O governo brasileiro, por sua vez, mantém posição contrária à classificação de organizações criminosas como terroristas por governos estrangeiros.

Para Evair, contudo, o enfrentamento ao crime organizado exige uma resposta proporcional à estrutura e ao alcance adquiridos pelas facções. A discussão permanece em curso no Congresso e envolve diferentes interpretações jurídicas e políticas sobre os limites da legislação brasileira, a cooperação internacional e os efeitos de uma eventual mudança no enquadramento dessas organizações.

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