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A segurança pública ocupa espaço relevante nos planos de governo dos cinco candidatos que disputam o comando do Espírito Santo nas eleições de 2026. Embora partam de estratégias distintas, as propostas convergem em alguns eixos: ampliação do uso de tecnologia, fortalecimento da inteligência policial, enfrentamento ao crime organizado e mudanças na estrutura penitenciária.
O levantamento considera os planos de governo registrados na Justiça Eleitoral e reúne medidas apresentadas pelos candidatos Breno Barcelos, Helder Salomão, Lorenzo Pazolini, Rafael Demuner e Ricardo Ferraço.
Entre os projetos estão desde a adoção obrigatória de câmeras corporais por agentes de segurança até sistemas de videomonitoramento apoiados por inteligência artificial, construção de unidades prisionais e iniciativas destinadas a atingir financeiramente organizações criminosas.
Diferentes estratégias para o combate ao crime organizado
Breno Barcelos apresenta um conjunto de 14 propostas para a segurança pública. O plano prevê a retomada de territórios considerados dominados por facções criminosas e uma política permanente voltada à identificação e ao bloqueio do patrimônio dessas organizações, com atuação conjunta entre forças policiais, Receita Estadual e Ministério Público.
Na área penitenciária, o candidato propõe a construção de uma unidade de segurança máxima inspirada no modelo do Cecot, em El Salvador. Também defende a substituição gradual de policiais militares e bombeiros que exercem funções administrativas por servidores civis.
No âmbito federal, suas propostas incluem mudanças na legislação penal, entre elas o fim da progressão de regime e do auxílio-reclusão, além da extinção das audiências de custódia e do juiz das garantias e do retorno da prisão após condenação em segunda instância.
Helder Salomão apresenta 61 propostas para o setor. Entre as prioridades está o fortalecimento da integração de bancos de dados e da inteligência financeira como instrumentos de combate às estruturas econômicas das organizações criminosas.
O plano também prevê câmeras corporais para os profissionais da segurança, além de medidas preventivas em áreas consideradas de risco, com oferta permanente de esporte, cultura e formação profissional. O candidato inclui ainda ações contra a evasão escolar e a retomada do policiamento de proximidade.
Para o sistema prisional, a proposta combina educação, trabalho e acompanhamento de pessoas que deixam as unidades penitenciárias, com o objetivo de reduzir a reincidência. O plano contempla ainda delegacias especializadas no enfrentamento ao racismo e na proteção da população LGBTQIA+, além da ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher para todas as regiões do Estado.
Tecnologia ganha espaço nos planos
Entre as propostas de Lorenzo Pazolini, a tecnologia aparece como um dos principais instrumentos para ampliar a capacidade de prevenção e investigação. O candidato prevê a criação de um Sistema Estadual de Videomonitoramento, com expansão das câmeras públicas e utilização de inteligência artificial para identificar pessoas e veículos suspeitos em tempo real, integrada também às informações de tornozeleiras eletrônicas.
O plano contempla uma reestruturação do sistema prisional, com investimentos em infraestrutura e ampliação de programas de educação, trabalho e ressocialização.
No enfrentamento ao crime organizado, Pazolini propõe unidades especializadas no combate à lavagem de dinheiro e à corrupção, além de forças-tarefa formadas por diferentes instituições. Também estão previstas medidas para reforçar a investigação criminal, a perícia e a atuação das Delegacias de Homicídios e Proteção à Pessoa.
Rafael Demuner apresenta 11 propostas concentradas, sobretudo, no controle da atividade policial, na participação social e no enfrentamento à violência contra grupos específicos.
Entre as medidas está a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais por agentes de segurança e o aprimoramento da estrutura de inteligência destinada ao combate às organizações criminosas. O candidato também propõe uma reorganização da política estadual de segurança com participação popular e a retomada do policiamento comunitário.
Na proteção às mulheres, o plano prevê uma rede integrada envolvendo segurança, saúde, assistência social, educação e Justiça, além da expansão das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Para o sistema penitenciário, a proposta é revisar estruturas físicas e modelos de gestão com foco na recuperação social.
Ampliação da estrutura estadual
Candidato à reeleição, Ricardo Ferraço reúne 26 propostas para a segurança pública. O plano prioriza a expansão da estrutura do Estado, a incorporação de novas tecnologias e o enfrentamento às organizações criminosas.
Entre as medidas está a construção de quatro novas unidades prisionais e a criação de uma Subsecretaria de Estado de Combate ao Crime Organizado, concebida para coordenar ações de inteligência, investigação e operações integradas.
Ferraço também propõe ampliar o Cerco Inteligente, incorporando ferramentas de inteligência artificial, análise preditiva, reconhecimento biométrico e compartilhamento de dados com os municípios.
Outra frente prevista no plano é transformar o combate às organizações criminosas em uma política permanente de Estado, com atuação voltada à inteligência, à descapitalização financeira das facções e à recuperação de ativos.
As propostas revelam, portanto, diferentes concepções sobre a política de segurança para o próximo ciclo de governo. Enquanto alguns planos enfatizam a expansão da estrutura policial e penitenciária, outros atribuem maior peso à tecnologia, à inteligência financeira, à prevenção social ou ao controle da atividade policial.
O eleitor capixaba terá, assim, diante de si cinco programas com estratégias distintas para uma das áreas de maior impacto direto sobre a vida cotidiana da população.
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