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A crise em torno do caso Banco Master ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (2), após a confirmação de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi ouvido, na semana passada, por um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento realizado sem a presença de integrantes da Polícia Federal.
A oitiva ocorreu no gabinete de Mendonça e, segundo informações divulgadas pelo próprio ministro, contou com a participação de representantes do Ministério Público. O procedimento foi solicitado pela defesa de Vorcaro, que alegou que o ex-banqueiro estaria sofrendo graves intimidações e pediu que ele fosse ouvido com urgência. O teor do depoimento permanece sob sigilo.
Segundo apuração da CNN, o encontro não tratou da relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O foco teria sido a atuação da Polícia Federal nas investigações, especialmente a conduta do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, além da resistência que, na avaliação do entorno do ex-banqueiro, estaria sendo demonstrada pela PF em relação a uma possível colaboração premiada.
Oitiva ocorreu em meio à disputa sobre possível delação
A defesa de Vorcaro aguarda, segundo as informações divulgadas, uma manifestação da Polícia Federal sobre uma nova tentativa de negociação de acordo de colaboração premiada. Seria a terceira proposta apresentada pelo ex-banqueiro.
As tratativas anteriores não avançaram. A segunda proposta teria sido recusada em junho, enquanto pessoas próximas a Vorcaro sustentam que a Polícia Federal não demonstraria interesse em estabelecer um acordo com ele. Essa avaliação, contudo, é atribuída ao entorno do ex-banqueiro e não representa uma conclusão oficial da corporação.
O advogado Daniel Bialsky foi procurado e informou que a defesa não se manifestaria sobre o conteúdo da apuração.
A ausência de agentes federais durante a oitiva chamou atenção justamente porque a Polícia Federal participa das investigações relacionadas ao caso. O gabinete de Mendonça, entretanto, afirmou que a realização do procedimento sem os investigadores seguiu regras destinadas à preservação da integridade do depoente diante dos relatos apresentados pela defesa.
Nova frente de pressão política
Enquanto os desdobramentos da investigação avançam no Supremo, a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro envolvendo autoridades provocou uma reação imediata no Congresso.
Em um intervalo de aproximadamente 24 horas, parlamentares da oposição apresentaram ao menos sete pedidos relacionados a Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. As iniciativas incluem pedidos de impeachment, notícia-crime e solicitações de afastamento ou exoneração.
Entre os primeiros movimentos esteve um pedido de impeachment de Moraes apresentado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG). O parlamentar citou, entre outros elementos, o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além das conversas atribuídas a Vorcaro e ao magistrado.
Também foi protocolado pedido pelo líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), que questionou a relação entre Moraes e o ex-banqueiro.
As iniciativas, entretanto, representam manifestações políticas de seus autores e ainda dependem dos respectivos procedimentos institucionais para eventual análise e prosseguimento.
Pedidos também atingem Paulo Gonet
A ofensiva não ficou restrita ao ministro do Supremo.
Deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto apresentaram pedido de impeachment contra Paulo Gonet. Eles sustentam que o procurador-geral teria cometido crime de responsabilidade em razão de sua participação em evento realizado em Londres, que, segundo os parlamentares, teria sido custeado por pessoas ligadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.
Os mesmos parlamentares também apresentaram uma notícia-crime contra Gonet e, juntamente com o senador Rogério Marinho (PL-RN), encaminharam pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o procurador-geral seja exonerado.
Outra representação foi apresentada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), também sob alegação de possível crime de responsabilidade.
O senador Carlos Viana, por sua vez, solicitou ao Supremo o afastamento de Gonet da condução das investigações relacionadas ao Banco Master e pediu que o procurador-geral preste esclarecimentos ao Plenário da Corte.
Caso amplia tensão entre instituições
Os novos acontecimentos colocam diferentes instituições no centro de uma disputa que ultrapassa a investigação sobre o Banco Master.
De um lado, o procedimento realizado no gabinete de André Mendonça acrescenta um novo elemento à discussão sobre a condução das apurações envolvendo Daniel Vorcaro. De outro, a reação de parlamentares demonstra que o conteúdo revelado no caso passou a produzir consequências também no campo político.
Até o momento, porém, pedidos de impeachment, notícias-crime e representações não equivalem à instauração de processos nem representam, por si mesmos, reconhecimento de responsabilidade pelas autoridades citadas.
A apuração sobre os fatos continua submetida aos mecanismos institucionais próprios, enquanto permanecem sob análise os documentos, mensagens e demais elementos reunidos no caso Banco Master.
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