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O desastre que atingiu a região do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, administrado pela China, assumiu proporções ainda maiores neste sábado (29). O número de mortos já ultrapassa 680, enquanto aproximadamente 3 mil pessoas permanecem desaparecidas, segundo os balanços mais recentes divulgados pelas autoridades dos dois lados da fronteira.
No Nepal, as autoridades informaram pelo menos 675 mortes. Do lado chinês, foram confirmadas outras sete vítimas no Tibete. Como as equipes ainda trabalham em áreas de difícil acesso e há grande quantidade de pessoas desaparecidas, o número de vítimas poderá aumentar à medida que as buscas avancem.
A dimensão da tragédia também é expressa pelo número de pessoas que continuam sem contato com familiares. Entre os desaparecidos estão trabalhadores, moradores locais, turistas e peregrinos estrangeiros que estavam na região quando as águas avançaram.
Resgate enfrenta terreno destruído
As operações de emergência ocorrem em meio a um cenário de grande destruição. Vilarejos foram atingidos por lama, pedras e água, enquanto pontes, estradas e estruturas de infraestrutura foram danificadas ou destruídas.
No Nepal, mais de 3.700 pessoas já haviam sido resgatadas, mas as equipes ainda enfrentavam dificuldades para alcançar determinados pontos. Um dos locais que concentra esforços é uma instalação hidrelétrica onde mais de cem pessoas podem ter ficado presas em túneis atingidos pela lama.
O relevo montanhoso, os desfiladeiros estreitos e as condições meteorológicas adversas tornam o trabalho particularmente complexo. Helicópteros têm sido utilizados para retirar sobreviventes de áreas isoladas e transportar assistência às comunidades afetadas.
Equipes e especialistas estrangeiros também começaram a ser mobilizados para auxiliar em operações que exigem conhecimento técnico específico, sobretudo no resgate de pessoas presas em túneis, na identificação de corpos e na recuperação de estruturas de transporte e comunicação.
Desastre pode ter origem em colapso de gelo e rochas
As informações disponíveis apontam que a enchente teria sido desencadeada por um evento geológico de grande intensidade na região montanhosa.
Uma massa de gelo, rochas e detritos teria desabado sobre um curso de água, provocando uma elevação repentina do volume e uma onda de inundação que percorreu os vales em alta velocidade. Cientistas avaliam que o colapso de uma geleira e de parte da encosta esteja relacionado ao episódio, embora as circunstâncias exatas ainda sejam objeto de investigação.
A ocorrência se deu durante o período de monções, quando fortes chuvas já atingem diversas áreas do Himalaia. A combinação entre as condições meteorológicas e a instabilidade geológica ampliou os efeitos do desastre.
Risco de novas inundações permanece sob monitoramento
Mesmo após a retomada das operações de resgate, as autoridades continuam acompanhando a formação de lagos e o comportamento dos cursos d’água na região.
A preocupação decorre da possibilidade de novos transbordamentos capazes de atingir áreas situadas abaixo dessas formações. Embora os níveis de água tenham apresentado sinais de redução em determinados pontos, o risco ainda é acompanhado pelas equipes de emergência.
A dimensão dos danos também impõe um desafio que ultrapassa o resgate imediato. O governo do Nepal estima que serão necessários entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para a reconstrução das áreas atingidas, diante dos prejuízos provocados em moradias, estradas, pontes, sistemas de comunicação e estruturas de geração de energia.
Enquanto as equipes avançam sobre os escombros em busca de sobreviventes, famílias de diferentes países aguardam informações sobre parentes que permanecem desaparecidos. O balanço de mortos e desaparecidos ainda deverá sofrer alterações nos próximos dias, à medida que novos corpos sejam localizados e as autoridades consigam consolidar os registros.
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