A campanha eleitoral avançou para sua segunda metade no Espírito Santo sob um cenário de forte insatisfação entre candidatos do PSD que disputam vagas na Câmara dos Deputados. Segundo relatos de integrantes da própria chapa, nenhum dos nove postulantes recebeu, até o momento, recursos do Fundo Eleitoral destinados à campanha.

A situação levou pelo menos dois candidatos a afirmar que pretendem retirar seus nomes da disputa por falta de condições materiais para conduzir uma campanha. Outros dizem que permanecerão no pleito, embora também relatem dificuldades para obter material de divulgação e estabelecer interlocução com a direção estadual da legenda.

O PSD capixaba é presidido pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. Para a eleição proporcional, o partido não apresentou chapa para deputado estadual e registrou nove candidaturas para a Câmara dos Deputados, número inferior ao limite de 11 nomes permitido para a disputa.

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Candidatos relatam falta de estrutura

Entre os que anunciaram a intenção de abandonar a eleição está Francis Tristão Pimenta, candidato a deputado federal por Afonso Cláudio. Ele afirma que, desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto, não recebeu recursos nem materiais básicos de divulgação.

Segundo o candidato, a ausência de estrutura comprometeu a possibilidade de desenvolver atividades de campanha e teria provocado endividamento entre alguns integrantes da chapa. Francis também afirma que tentou contato com Renzo Vasconcelos, sem conseguir uma reunião.

Outro nome que declarou intenção de desistir é Cintia Cristina Rufino Pereira, conhecida como Cintia Nininha. Recepcionista, ela disputa pela primeira vez uma eleição e afirma que não recebeu recursos ou retorno suficiente da direção partidária para estruturar sua candidatura.

A candidata relata ainda que recebeu informações sobre a produção de material de campanha quando, em sua avaliação, já havia passado parcela significativa do período eleitoral.

Candidaturas mantidas apesar das dificuldades

A situação, contudo, não produziu uma decisão uniforme entre os integrantes da chapa.

Jane Aparecida Zanetti, microempreendedora de Colatina que trabalha com a produção de salgados, afirma que também não recebeu recursos financeiros do partido. Ela relata ter sido convidada para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados poucos dias antes do início oficial da campanha.

Apesar das dificuldades, Jane afirma que pretende permanecer na disputa até o encerramento do processo eleitoral. A candidata já havia concorrido ao cargo de vereadora em Colatina, em 2024.

Também decidiu continuar em campanha o médico Humberto Simões Gonçalves, de 71 anos, que possui trajetória eleitoral anterior e chegou a exercer mandato de vereador em Guarapari como suplente.

O candidato afirma ter procurado a direção partidária em busca de informações sobre material e recursos. Segundo ele, houve dificuldade de comunicação com a presidência estadual, enquanto as tratativas seriam conduzidas principalmente por integrantes da direção do partido.

Questionamentos sobre a condução política

Além da questão financeira, os relatos dos candidatos revelam descontentamento com a condução política da legenda durante a eleição.

Entre as reclamações está o fato de Renzo Vasconcelos manter proximidade política com o deputado federal Da Vitória (PP), que concorre à reeleição, enquanto integrantes da própria chapa do PSD afirmam não ter recebido o mesmo nível de apoio.

Também há críticas à concentração de esforços partidários na candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado, lançado pelo PSD no Espírito Santo.

As avaliações, contudo, são atribuídas exclusivamente aos candidatos ouvidos e não representam, por si mesmas, uma conclusão sobre a estratégia eleitoral adotada pelo partido.

PSD afirma que aguarda recursos do Fundo Eleitoral

Procurada, a direção estadual do PSD reconheceu que ainda não realizou repasses financeiros aos candidatos a deputado federal. A justificativa apresentada é que o diretório capixaba ainda aguarda uma definição da direção nacional sobre a disponibilização dos recursos do Fundo Eleitoral.

O partido afirma que mantém diálogo com os candidatos e que, paralelamente à questão financeira, providenciou serviços de marketing, produção de conteúdo, gravações para propaganda eleitoral e materiais gráficos.

De acordo com a legenda, parte desses materiais estava em produção e deveria ser entregue aos candidatos nos dias seguintes. O PSD atribuiu eventual demora à elevada demanda enfrentada pelas gráficas durante o período eleitoral.

A direção estadual também informou que, até o momento, não havia recebido comunicação formal de nenhum candidato sobre desistência definitiva. Caso algum integrante decida deixar a disputa, segundo o partido, a situação será conduzida com acompanhamento jurídico e contábil e em conformidade com a legislação eleitoral.

O episódio coloca em evidência as dificuldades enfrentadas pela chapa federal do PSD no Espírito Santo justamente quando a campanha entra em uma etapa decisiva. De um lado, candidatos relatam falta de recursos e de estrutura; de outro, a direção partidária sustenta que trabalha para viabilizar materiais e aguarda a definição sobre os recursos eleitorais.

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