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A Justiça Eleitoral determinou que 18 empresas e cooperativas do Espírito Santo apresentem informações sobre encontros realizados em suas dependências com candidatos durante o período eleitoral. A iniciativa integra uma ação apresentada pela coligação “Agora é o Futuro”, ligada à candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) ao governo estadual, contra Lorenzo Pazolini (Republicanos) e sua candidata a vice, Eliane Leal (PL).
A decisão foi proferida pelo corregedor regional eleitoral, desembargador Arthur José Neiva de Almeida, e tem caráter instrutório. As empresas não figuram, neste momento, como alvo da investigação. O objetivo é reunir elementos capazes de esclarecer as circunstâncias em que as reuniões ocorreram.
Entre as informações requisitadas estão a relação dos participantes com cada empresa, o horário e a duração dos encontros, além da identificação de quem teria organizado ou autorizado as visitas. A Justiça também quer saber de que maneira os trabalhadores foram convidados e se houve alguma orientação da direção para que comparecessem.
Outro ponto sob análise é o conteúdo das reuniões. As empresas deverão informar se houve manifestações políticas, pedidos de voto, demonstração de apoio eleitoral, apresentação de propostas ou utilização de materiais de campanha, como bandeiras e adesivos. Quando disponíveis, convites, circulares, mensagens internas e outros registros também deverão ser apresentados.
As empresas estão distribuídas entre a Grande Vitória e municípios do interior e pertencem a diferentes segmentos econômicos. Integram a relação Ajellso, Cervejaria Dus Grillo, Cooabriel, Coopram, Dinâmica Alimentos, E&L On Line, E&L Produções de Software, Extrabom, Extrafruti, Fardin Doces e Alimentos, Fardin Metalúrgica, Grupo Argalit, Jolivan Transportes, Paletitas, Placas do Brasil, Pomar, Refrigerante Coroa e Samarco. O prazo estabelecido para as manifestações é de dez dias.
Empresas começam a se manifestar
Algumas das companhias relacionadas ao processo informaram que ainda não haviam sido formalmente notificadas pela Justiça Eleitoral. A Ajellso, por exemplo, declarou que prestará os esclarecimentos solicitados assim que tiver acesso oficial ao conteúdo da decisão.
A Cervejaria Dus Grillo afirmou que não possui vínculo político e sustentou que recebe pessoas de diferentes posições partidárias em seu espaço. A empresa ressaltou que a presença de candidatos em suas dependências não representa, por si só, apoio ou participação política.
Extrabom, Extrafruti, Grupo Argalit, Jolivan Transportes e Samarco também informaram não ter recebido, até aquele momento, comunicação formal sobre a solicitação judicial. A Paletitas, por sua vez, optou por não comentar o caso.
Redes sociais também entram na apuração
Além das informações solicitadas às empresas, a decisão determinou que Meta e Google preservem dados relacionados a publicações em redes sociais que possam registrar os encontros mencionados no processo.
A providência integra uma etapa de produção antecipada e preservação de provas. Entre os elementos que poderão ser analisados estão registros de acesso, folhas de ponto e conteúdos publicados nas plataformas digitais.
Investigação ainda não representa julgamento
A natureza da decisão foi destacada pela própria defesa de Lorenzo Pazolini. Em manifestação divulgada no processo, a equipe do candidato ressaltou que a determinação judicial não significa que a Justiça Eleitoral tenha reconhecido a existência de irregularidades nas visitas.
A defesa também chamou atenção para o entendimento de que a simples presença de um candidato em uma empresa, ainda que acompanhada por trabalhadores, não permite concluir automaticamente pela ocorrência de pressão, constrangimento ou obrigação de participação.
O processo, portanto, permanece na fase de coleta de informações e preservação de elementos probatórios. A existência ou não de eventual assédio eleitoral ou abuso de poder econômico dependerá da análise dos fatos e das provas que forem reunidas ao longo da tramitação.
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