Uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo revelou uma estrutura organizada por aproximadamente um ano para executar o sequestro de um influenciador e investidor de 30 anos, abordado em Jardim Camburi, em Vitória, no dia 11 de junho. Ao todo, sete pessoas foram presas e outras duas permanecem procuradas pelas autoridades.

Segundo a investigação, a vítima teria despertado a atenção do grupo em razão da exposição nas redes sociais e de sua atuação no mercado de criptomoedas. A expectativa dos envolvidos, de acordo com a Polícia Civil, era obter até R$ 5 milhões com o crime. A quantia efetivamente transferida pela vítima, entretanto, teria ficado em aproximadamente R$ 20 mil em criptomoedas.

A ação, conforme detalhado pelos investigadores, envolveu diferentes funções. Adilson de Jesus Neves Junior e Osmar de Azeredo Nunes, ambos de 39 anos, são apontados como responsáveis pela liderança do grupo e pelo monitoramento da vítima.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

A abordagem teria sido preparada a partir desse acompanhamento. Imagens de videomonitoramento analisadas durante a investigação registraram a movimentação dos veículos utilizados na ação.

De acordo com a Polícia Civil, um HB20 branco teria sido colocado no trajeto do Porsche conduzido pela vítima, interrompendo sua passagem. Um Celta vinha logo atrás. A investigação aponta que Samuel Camilo dos Santos, de 23 anos, dirigia o segundo veículo, enquanto Enoque Pereira Leal Filho, de 30, e Osmar também estariam no carro.

Os investigadores afirmam que os suspeitos usavam roupas escuras e estavam armados. Segundo o relato apresentado pela Polícia Civil, Osmar teria se aproximado da vítima anunciando tratar-se de uma ação da Polícia Federal. O influenciador teria sido retirado do Porsche, colocado no Celta e levado para outro ponto.

Vítima conseguiu escapar

Depois da abordagem, o grupo teria levado a vítima para uma área de mata em Jardim Carapina, na Serra. Ainda segundo a investigação, Erlan Josme de Oliveira Alves, de 37 anos, teria participado da ação naquele local.

Sob ameaça, o influenciador teria sido obrigado a realizar a transferência de aproximadamente R$ 20 mil em criptomoedas. A intenção atribuída aos investigados era obter uma quantia muito superior.

A situação terminou de maneira diferente do que os suspeitos teriam planejado depois que o pai da vítima conseguiu localizar o celular do filho. Policiais militares foram até a região indicada e, durante as buscas, o próprio influenciador conseguiu escapar ao se lançar por um barranco.

O Porsche utilizado pela vítima foi posteriormente localizado abandonado em Jardim Camburi.

Informações repassadas durante a ação

A investigação também aponta a participação de Ana Julia da Silva, de 21 anos, que permanece procurada. Segundo a Polícia Civil, ela teria exercido uma função de apoio operacional, acompanhando a movimentação policial e repassando informações aos demais integrantes.

Outro investigado, Irlan Miguel de Souza Laranjeira, de 25 anos, estaria relacionado ao veículo utilizado durante o crime. De acordo com os investigadores, ele e Wilian Henrique Guimarães Gomes, de 30 anos, teriam elaborado uma versão para tentar afastar o Celta da investigação.

A estratégia, segundo a Polícia Civil, consistiria em afirmar que Wilian havia utilizado o automóvel e posteriormente sido vítima de um roubo.

Irlan teria procurado a polícia e apresentado essa versão. Wilian, entretanto, acabou preso pela Polícia Militar no mesmo dia do sequestro, em uma ocorrência relacionada a drogas. A análise do telefone apreendido com ele teria fornecido elementos que ajudaram os investigadores a avançar na identificação dos demais envolvidos.

Rastreamento das criptomoedas

A movimentação financeira também se tornou uma das principais linhas de investigação.

Conforme a Polícia Civil, a análise de informações obtidas mediante autorização judicial e quebra de sigilo financeiro permitiu identificar Adilson como primeiro destinatário dos valores transferidos pela vítima.

Depois disso, segundo os investigadores, o dinheiro teria sido distribuído entre outras pessoas relacionadas ao grupo, entre elas Laís de Jesus Teles, de 27 anos, esposa de Adilson, além de Enoque, Erlan e Osmar.

A rastreabilidade característica das criptomoedas foi utilizada pelos investigadores para acompanhar a circulação dos valores. A polícia explicou que as transações deixam registros que podem ser analisados por meio de códigos específicos, permitindo identificar destinatários e movimentações sucessivas quando há autorização judicial para acesso às informações financeiras.

A estratégia de pulverização dos valores é conhecida no meio investigativo como “smurfização”, mecanismo que consiste na distribuição de recursos entre diferentes destinatários com o objetivo de dificultar a identificação da origem e do caminho percorrido pelo dinheiro.

Além das informações extraídas do aparelho de Wilian, a Polícia Civil informou que Enoque teria confessado participação no crime.

Prisões e procurados

A operação que levou parte dos investigados à prisão foi deflagrada em 27 de agosto, quando seis pessoas foram detidas. Wilian já estava preso desde a ocorrência registrada no dia do sequestro.

Ao todo, sete suspeitos estão presos. Samuel Camilo dos Santos e Ana Julia da Silva continuam sendo procurados pela Polícia Civil.

A corporação informou ainda que parte dos investigados possui registros policiais anteriores, mas não detalhou quais deles.

As informações sobre a participação individual de cada suspeito permanecem no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Civil e deverão ser submetidas às instâncias responsáveis pela análise judicial do caso.

JORNAL NOVA GERAÇÃO
“A VERDADE DOS FATOS”