Uma receita caseira que passou a circular nas redes sociais com o apelido de “gelatina Mounjaro” chamou a atenção de pessoas interessadas em estratégias para emagrecer. Apesar do nome, a preparação não deve ser confundida com o Mounjaro, medicamento cujo princípio ativo é a tirzepatida.

A principal diferença está justamente na composição. O Mounjaro é um medicamento à base de tirzepatida, substância que atua nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o produto para diferentes indicações, entre elas o controle crônico do peso em adultos que atendam aos critérios estabelecidos na indicação aprovada.

Já uma preparação alimentar feita em casa não contém tirzepatida e, portanto, não possui o mesmo mecanismo de ação farmacológica do medicamento.

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De onde veio o nome “gelatina Mounjaro”?

A denominação surgiu nas redes sociais em meio à popularização de conteúdos sobre alimentação, saciedade e perda de peso. O nome, porém, é apenas uma associação criada para identificar a receita e não significa que ela seja uma versão caseira ou natural do medicamento.

Uma preparação alimentar pode integrar uma rotina de alimentação, dependendo de seus ingredientes e das necessidades de cada pessoa. Isso, entretanto, não permite afirmar que ela tenha o mesmo efeito de um medicamento desenvolvido e estudado para finalidades terapêuticas específicas.

O que é o Mounjaro?

O Mounjaro contém tirzepatida, um medicamento que atua simultaneamente sobre os receptores GIP e GLP-1. Segundo a Anvisa, a tirzepatida influencia mecanismos relacionados à secreção de insulina, ao glucagon, ao esvaziamento gástrico e à ingestão de alimentos.

No Brasil, o medicamento recebeu inicialmente registro para melhorar o controle da glicemia em adultos com diabetes mellitus tipo 2. Posteriormente, a Anvisa aprovou uma indicação para controle crônico do peso, incluindo perda e manutenção do peso, em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, para adultos que se enquadrem nos critérios previstos na indicação.

Receita caseira não substitui tratamento

O fato de uma preparação alimentar receber um nome associado a um medicamento não significa que ela possa reproduzir seus efeitos.

Por isso, não é seguro apresentar a chamada “gelatina Mounjaro” como substituta da tirzepatida ou como tratamento comprovado para emagrecimento. Também não se deve utilizar medicamentos para perda de peso por conta própria.

A Anvisa vem reforçando a fiscalização sobre os medicamentos agonistas de GLP-1 e alertando para riscos relacionados ao uso inadequado desses produtos. Em 2026, a agência determinou medidas contra diferentes produtos à base de tirzepatida em situação irregular.

Em fevereiro, por exemplo, a Anvisa emitiu alerta sobre o uso indevido de medicamentos agonistas de GLP-1 e destacou o risco de eventos adversos associados ao uso fora das indicações aprovadas.

Atenção aos produtos vendidos pela internet

Outro ponto de atenção é a compra de produtos anunciados como “tirzepatida” ou “caneta emagrecedora” fora dos canais regulares.

A Anvisa determinou, em diferentes ações realizadas em 2026, a apreensão e a proibição de produtos contendo tirzepatida que não possuíam registro, notificação ou cadastro na Agência. Em alguns casos, também foram identificadas irregularidades na manipulação desses produtos.

Segundo a agência, produtos de origem desconhecida e sem regularização não oferecem garantia quanto à composição ou à qualidade.

Antes de seguir uma tendência das redes

A popularização de receitas e métodos de emagrecimento nas redes sociais pode fazer com que informações sem comprovação sejam confundidas com tratamentos médicos.

No caso da chamada “gelatina Mounjaro”, é importante deixar claro: uma receita alimentar não contém tirzepatida e não equivale ao medicamento Mounjaro.

Quem deseja perder peso ou pretende iniciar qualquer tratamento deve buscar avaliação de um profissional de saúde, que poderá indicar as estratégias adequadas de acordo com as condições e necessidades de cada paciente.

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