O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta quinta-feira (27), de uma sabatina promovida pela TV Globo, na qual respondeu a questionamentos sobre investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, além de temas como o escândalo dos descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), situação fiscal, educação, segurança pública e os Correios.

Durante a entrevista, conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, Lula chegou a afirmar, em tom de brincadeira, que estava se sentindo no Ministério Público, diante da concentração de perguntas relacionadas a investigações e processos.

Críticas à cobertura da Lava Jato

Ao abordar a Operação Lava Jato, Lula voltou a criticar a condução das investigações que resultaram em sua prisão e posterior anulação de processos e condenações.

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O presidente afirmou ter sido vítima de perseguição jurídica e questionou a atuação da imprensa na cobertura do caso. Também cobrou um pedido de desculpas da mídia pelo tratamento dado às acusações feitas contra ele durante o período das investigações.

Lula mencionou especificamente a divulgação de uma apresentação em PowerPoint utilizada pelo Ministério Público Federal para relacioná-lo à liderança de uma organização criminosa. Segundo ele, a imprensa contribuiu para a repercussão das acusações.

Investigação envolvendo o filho

Questionado sobre as apurações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, Lula afirmou que não pretende interferir no trabalho das autoridades.

O presidente declarou que o filho deve responder individualmente pelas acusações e que as investigações precisam prosseguir. Ao mesmo tempo, defendeu o princípio da presunção de inocência.

Lula também negou que tenha utilizado ou pretenda utilizar o cargo para beneficiar o filho e afirmou que não fará qualquer movimento para interferir nas investigações.

Ex-chefe de gabinete

A situação do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro também foi abordada durante a sabatina. Ele é citado em apurações relacionadas ao contato com uma lobista.

Lula reconheceu que a situação merece atenção, mas ressaltou que, segundo seu entendimento, ainda seria necessário verificar se houve efetivamente obtenção de recursos públicos ou algum benefício decorrente das relações mencionadas.

Para o presidente, o papel de um chefe de gabinete, diante de um pedido de audiência, é encaminhar a solicitação ao ministério responsável, e não atuar diretamente para obter vantagens.

Descontos no INSS

Outro assunto discutido foi o esquema envolvendo descontos considerados irregulares em aposentadorias e pensões do INSS.

Lula afirmou que seu governo permitiu que órgãos como a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) atuassem livremente nas investigações.

Segundo o presidente, parte dos valores já teria sido devolvida aos aposentados e pensionistas prejudicados. Lula também atribuiu a origem do esquema ao ano de 2019 e afirmou que seu governo atuou posteriormente para investigá-lo e desarticulá-lo.

Economia e dívida pública

Na área econômica, Lula foi questionado sobre o crescimento da dívida pública, que, segundo os dados mencionados durante a entrevista, alcança aproximadamente R$ 10 trilhões.

O presidente defendeu sua política econômica e relacionou o aumento da dívida ao histórico de baixo crescimento do país. Também afirmou que o Brasil voltou a apresentar crescimento econômico superior a 2% durante seu atual mandato.

Sobre os Correios, Lula descartou a possibilidade de privatização da empresa e afirmou que pretende promover medidas para recuperar sua situação financeira e modernizar a estatal.

Educação e segurança pública

Ao tratar da educação, Lula destacou resultados atribuídos ao Ceará e ao Piauí e comparou o desempenho educacional dos estados com o de São Paulo.

Na área da segurança pública, o presidente voltou a defender a definição mais clara das atribuições da União, dos estados e dos municípios. Ele também mencionou as discussões em torno da PEC da Segurança Pública e afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso a proposta avance.

Entrevistas com candidatos

A participação de Lula integra uma série de entrevistas com candidatos à Presidência da República.

Antes dele, foram entrevistados Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos. A programação prevê, para esta sexta-feira (28), a participação do candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro.

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