A eleição para o governo do Espírito Santo começa a ganhar contornos mais definidos no âmbito municipal. Entre os 78 prefeitos capixabas, 65 declararam apoio a Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição, segundo levantamento realizado pela reportagem. O quadro revela uma vantagem expressiva do emedebista entre os chefes dos Executivos municipais e expõe, ao mesmo tempo, particularidades da composição política que se desenha para a disputa de 2026. 

O cenário é consideravelmente mais restrito entre os demais concorrentes. Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparece, até o momento, com dois apoios declarados: o da prefeita de Vitória, Cris Samorini (PP), que foi sua vice, e o de João Paulo Nali (Republicanos), prefeito de Castelo. Durante a apuração, nenhum prefeito consultado declarou apoio a Helder Salomão (PT), Breno Barcelos (Missão) ou Rafael Demuner (UP). 

A distribuição das preferências, contudo, não acompanha de maneira automática a orientação partidária de todos os prefeitos. O levantamento registra, inclusive, manifestações favoráveis a Ferraço entre gestores vinculados a siglas que sustentam a candidatura de Pazolini, como Republicanos e PL. O dado evidencia que, no plano municipal, as alianças para a sucessão estadual não necessariamente reproduzem, de forma linear, as composições partidárias estabelecidas na disputa pelo Palácio Anchieta. 

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Há também municípios onde a posição permanece em aberto. O prefeito de São Gabriel da Palha, Tiago Rocha (PL), informou ainda não ter escolhido seu candidato. Situação semelhante foi registrada em Venda Nova do Imigrante, cujo prefeito, Dalton Perim (sem partido), não havia definido apoio quando procurado pela reportagem. Em Colatina, o prefeito Renzo Vasconcelos (PSD) declarou neutralidade na eleição para o governo estadual. 

A fotografia política, entretanto, não é integralmente fechada. Edu do Restaurante, de Domingos Martins; Luis Pancoti, de Ibatiba; Reginaldo Simão, de Ibitirama; Vander Patrício, de Itarana; Marcos Guerra; Guima, de Pancas; João Trancoso, de Vila Pavão; e Davi Ramos, de Vila Valério, foram procurados pela reportagem, mas não responderam aos contatos realizados. Por essa razão, seus posicionamentos não foram classificados no levantamento. 

A ausência de manifestação merece cautela na leitura dos números. O fato de alguns desses prefeitos pertencerem ao PSB, partido integrante da coligação de Ricardo Ferraço, por exemplo, não permite concluir automaticamente que apoiem o candidato. Sem uma declaração formal dos próprios mandatários, qualquer associação nesse sentido seria mera inferência — e não dado de apuração. 

A força da relação entre Estado e municípios

Para o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a predominância de Ferraço entre os prefeitos pode ser compreendida também a partir da relação administrativa estabelecida entre o governo estadual e os municípios.

Na avaliação do especialista, os investimentos realizados pelo Estado ao longo da gestão aproximam politicamente os governos municipais da administração estadual. Segundo Prando, essa conexão entre recursos, gestão pública e articulação política tende a produzir efeitos sobre a formação das alianças eleitorais. 

Ferraço disputa a continuidade do governo iniciado por Renato Casagrande (PSB), que deixou o comando do Estado em abril para concorrer ao Senado. Ao longo de sua administração, Casagrande construiu uma ampla base de interlocução com prefeitos capixabas, relação que agora se projeta sobre a sucessão estadual. 

É nesse ambiente que a eleição de 2026 começa a revelar uma de suas características mais relevantes: embora a disputa pelo governo estadual reúna cinco candidaturas, a capilaridade política entre os municípios aparece, neste momento, fortemente concentrada em torno de Ricardo Ferraço. As posições, porém, ainda podem sofrer alterações à medida que a campanha avance e novos acordos sejam formalizados.

JORNAL NOVA GERAÇÃO
“A VERDADE DOS FATOS”