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A disputa eleitoral em Minas Gerais ganhou novos contornos nas últimas semanas com o rompimento de alianças entre nomes do campo conservador. O ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), que pretendia disputar uma vaga no Senado, passou a enfrentar o afastamento de antigos aliados e agora concorre sem integrar uma chapa encabeçada por candidato ao Governo de Minas.
Os principais conflitos envolvem o governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), o senador e candidato ao governo Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o candidato Gabriel Azevedo (MDB), que também mantém histórico de divergências políticas com Marcelo Aro.
Ruptura com Mateus Simões
A primeira ruptura ocorreu dentro do próprio grupo que sustentava a candidatura de Mateus Simões. Aro havia iniciado sua pré-campanha ao Senado com a expectativa de integrar a composição eleitoral do governador, mas as negociações não avançaram da maneira pretendida.
A situação se agravou depois que Cleitinho, que havia sinalizado anteriormente que não disputaria o Governo de Minas, voltou a considerar a candidatura ao Palácio Tiradentes. Aro passou, então, a trabalhar por uma candidatura própria ao governo, ainda enquanto fazia parte da estrutura administrativa estadual.
O movimento provocou reação de integrantes do grupo de Simões. O governador chegou a classificar Aro como “político fisiológico”, enquanto o ex-governador Romeu Zema também criticou o antigo aliado.
Após o agravamento da disputa, Aro e integrantes de seu grupo político deixaram o governo mineiro.
Aproximação e novo afastamento de Cleitinho
Com a retomada da candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas, o cenário eleitoral sofreu outra alteração. Aro abandonou a tentativa de disputar o Executivo estadual e passou a apoiar o senador.
A aproximação chegou a ser pública, inclusive com Aro participando de articulações junto à direção nacional do Republicanos para viabilizar o projeto eleitoral de Cleitinho. O movimento, entretanto, ocorreu em sentido diferente do posicionamento da federação União-Progressistas, que apoiava Mateus Simões.
A relação entre Aro e Cleitinho, contudo, já carregava um histórico de conflitos. Em 2022, o senador havia feito críticas contundentes ao então secretário, chegando a chamá-lo de “canalha” e a acusá-lo de ter adotado medidas contra integrantes de sua família durante a disputa eleitoral.
Mais recentemente, a aproximação entre os dois voltou a se desfazer. Cleitinho deixou de apoiar a candidatura de Aro ao Senado, encerrando uma aliança que havia sido construída depois do afastamento entre Aro e Simões.
Informações divulgadas pela imprensa apontaram que familiares e aliados de Cleitinho teriam demonstrado resistência à presença de Aro no projeto eleitoral do senador. Também foram mencionadas suspeitas relacionadas à Cemig SIM, que passaram a fazer parte do ambiente de críticas políticas envolvendo o ex-secretário.
Essas referências, porém, correspondem a acusações e suspeitas mencionadas no debate político e na cobertura jornalística, não podendo ser tratadas como comprovação de irregularidades ou de responsabilidade criminal.
Confronto com Gabriel Azevedo
A antiga disputa entre Marcelo Aro e Gabriel Azevedo também voltou ao centro da campanha.
Durante o primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas, realizado no dia 16 de agosto, Gabriel Azevedo fez uma referência indireta a Aro ao questionar a proximidade de Cleitinho com um político mineiro cujo sobrenome, segundo a declaração, “rima com Vorcaro”.
A fala ocorreu durante uma discussão sobre a Cemig SIM e fez referência à saída de Rubens Soalheiro do cargo de diretor comercial da empresa. Segundo informações divulgadas na reportagem que serviu de fonte, Soalheiro teria sido citado pela Polícia Federal em apurações envolvendo contratos com uma empresa ligada a Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
A reportagem também menciona que Soalheiro administra empresas relacionadas ao núcleo político e empresarial de Marcelo Aro. As referências a eventual esquema de lavagem de dinheiro aparecem no campo das suspeitas e acusações relatadas, não como conclusão judicial.
O embate entre Aro e Gabriel Azevedo, entretanto, é anterior à atual corrida eleitoral. Em 2023, quando Gabriel presidia a Câmara Municipal de Belo Horizonte, dois processos de cassação foram apresentados contra ele e posteriormente arquivados. A articulação dos processos envolveu integrantes do grupo político ligado a Aro.
Naquele período, Gabriel também acusou Aro de estar relacionado à articulação de um suposto esquema de propina envolvendo empresários do transporte público. A acusação deve ser compreendida como declaração política e não como condenação ou comprovação de crime.
Histórico político
A trajetória de Marcelo Aro também inclui episódios que continuam sendo utilizados no debate político atual. Em 2015, quando ainda era vereador de Belo Horizonte, Aro foi responsável por uma homenagem que concedeu a Eduardo Cunha o título de cidadão honorário da capital mineira. Posteriormente, já deputado federal, integrou o grupo político ligado ao então presidente da Câmara dos Deputados.
Aro também ocupou o cargo de diretor de Ética e Transparência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), durante a gestão de Marco Polo Del Nero.
Outro ponto mencionado na reportagem de origem são três boletins de ocorrência registrados em anos anteriores. Os documentos relatam episódios envolvendo suposta agressão, desobediência e ameaça.
No primeiro caso, registrado em 2007, uma ex-namorada de Aro, então com 17 anos, teria relatado à Polícia Civil ter sido agredida. Em 2008, ele teria sido conduzido em flagrante por desobediência após uma ocorrência relacionada a perturbação do sossego. Já em 2012, em Nova Lima, um boletim registrou uma ocorrência envolvendo uma abordagem policial e uma suposta ameaça.
Por se tratarem de registros de ocorrência e relatos apresentados às autoridades, esses documentos não equivalem a condenações judiciais e não permitem, por si sós, afirmar responsabilidade criminal.
Direita mineira chega dividida à eleição
O resultado das sucessivas rupturas é uma configuração eleitoral marcada pela fragmentação entre nomes que, até pouco tempo atrás, compartilhavam espaços políticos e eleitorais.
Mateus Simões segue na disputa pelo Governo de Minas, enquanto Cleitinho também mantém sua candidatura ao cargo. Gabriel Azevedo permanece na corrida pelo MDB. Marcelo Aro, por sua vez, disputa uma das vagas ao Senado sem estar vinculado a uma chapa encabeçada por candidato ao Executivo estadual.
A sucessão de alianças desfeitas evidencia uma disputa que vai além da escolha do próximo governador. O cenário também envolve a definição de grupos, palanques e espaços de influência dentro da direita mineira durante uma eleição que se apresenta marcada por múltiplas candidaturas e antigas rivalidades.
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