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O técnico Carlo Ancelotti iniciou oficialmente o planejamento para o próximo ciclo da Seleção Brasileira e confirmou uma ampla renovação no elenco após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (29), o treinador reconheceu falhas durante o Mundial, definiu prioridades para os próximos anos e afirmou que jogadores como Neymar, Casemiro e Danilo encerraram seu ciclo na equipe nacional.
Segundo Ancelotti, o principal objetivo da reconstrução será formar um grupo competitivo já para a Copa América de 2028, sem perder de vista a preparação para a Copa do Mundo de 2030.
"Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos."
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O treinador explicou que a comissão técnica passará a observar atletas mais jovens, com foco na renovação gradual do elenco.
"Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028."
Apesar da reformulação, Ancelotti ressaltou que alguns atletas experientes permanecerão no grupo para garantir continuidade ao trabalho.
"Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos. Mas a ideia é mudar, botar uma nova geração."
Autocrítica pela eliminação
Durante a entrevista, o treinador também fez uma avaliação do desempenho da Seleção na derrota para a Noruega e reconheceu que as alterações promovidas durante o segundo tempo comprometeram o desempenho da equipe.
Conforme explicou, a estrutura tática foi modificada após a parada para hidratação, o que acabou alterando o equilíbrio do time.
"A autocrítica que eu posso fazer, que eu fiz depois do jogo, é que eu mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação e aí perdemos o controle do jogo."
Segundo Ancelotti, a entrada de Neymar tinha como objetivo aumentar a qualidade ofensiva da equipe.
"Eu sentia que precisava mudar algo no time. E por isso botei o Neymar, para ter mais qualidade na frente."
O treinador ponderou que decisões tomadas durante partidas eliminatórias nem sempre produzem o resultado esperado.
Pressão faz parte do processo
Ancelotti afirmou que a eliminação provocou forte impacto pessoal e admitiu ter enfrentado um período de tristeza após o Mundial.
"Não foi um período fácil, por causa da tristeza, da decepção da derrota. É uma derrota diferente, porque é uma derrota em uma Copa do Mundo."
Mesmo diante das críticas, o comandante disse manter confiança no trabalho desenvolvido desde que assumiu a Seleção.
"Estamos convencidos de que o trabalho feito em um ano foi um bom trabalho."
Copa América será prioridade
Para o treinador, a pressão por resultados continuará existindo, mas o foco imediato passa a ser a conquista da Copa América de 2028.
Segundo ele, a preparação para a Copa do Mundo de 2030 será construída ao longo dos próximos quatro anos, com integração mais próxima entre a Seleção principal e as categorias de base.
Ancelotti destacou ainda a necessidade de fortalecer a observação de jovens talentos, especialmente meio-campistas e goleiros que vêm se destacando no futebol brasileiro.
Convite da Itália
O treinador também confirmou ter sido procurado para assumir a seleção da Itália, mas afirmou que decidiu permanecer no comando da equipe brasileira.
"Simplesmente teve contato da federação, mas não é um problema de contrato, é de compromisso. Eu tenho compromisso com o Brasil."
Segundo Ancelotti, a decisão foi motivada pelo vínculo construído durante seu primeiro ano de trabalho à frente da Seleção.
Relação com o Brasil
Ao comentar sua adaptação ao país, o treinador afirmou que reside no Rio de Janeiro, embora também passe alguns períodos em sua casa no Canadá.
Ancelotti declarou que aprecia diversos aspectos da cultura brasileira, citando o Carnaval, diferentes regiões do país e a gastronomia. Entre os pratos preferidos, destacou a polenta, tradição levada ao Brasil pelos imigrantes italianos.
Encerrando a entrevista, o técnico demonstrou confiança na capacidade de recuperação da Seleção Brasileira e afirmou acreditar que a equipe possui condições de voltar a disputar títulos nos próximos anos.
"Temos ferramentas a nível técnico, metodológico e competência para estar entre os melhores do mundo."
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