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A utilização de falsas entrevistas de emprego para capturar dados biométricos de candidatos passou a chamar a atenção após um caso registrado em São Paulo. A vítima descobriu que sua biometria facial havia sido usada por criminosos para contratar o financiamento de um veículo avaliado em R$ 750 mil, fazendo com que a dívida fosse vinculada ao seu CPF.
Segundo relato divulgado pela advogada Tábata Firmino em um vídeo publicado nas redes sociais, a mulher foi convidada para participar de um suposto processo seletivo. Durante a primeira etapa, realizou um cadastro que exigia reconhecimento facial. No dia seguinte, recebeu a informação de que havia sido aprovada para a fase seguinte e retornou ao local, onde repetiu o procedimento após ser informada de que o primeiro registro teria apresentado falhas técnicas.
Somente dias depois a candidata percebeu que havia sido vítima de um golpe. Conforme a advogada, os dados biométricos fornecidos durante as duas etapas foram utilizados para formalizar um contrato de financiamento de R$ 750 mil, resultando na emissão de parcelas mensais em nome da vítima.
"Quando eu coloquei meu rosto ali, eu não estava fazendo meu cadastro em uma plataforma. Eu estava assinando um contrato de financiamento. Hoje eu estou com um financiamento ativo com parcelas de R$ 4,5 mil no meu CPF. Estou na Justiça tentando cancelar esse financiamento e tentando provar que eu não tinha ciência de que naquele momento eu estava assinando um contrato", relatou a advogada ao narrar a experiência da cliente.
Ainda de acordo com Tábata Firmino, os responsáveis pela fraude teriam explorado falhas nos mecanismos de validação para apresentar informações financeiras capazes de viabilizar a contratação do financiamento. O episódio reforçou o alerta sobre os riscos da utilização indevida do reconhecimento facial em processos seletivos falsos.
Embora a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) ainda não tenha registrado ocorrências semelhantes no Espírito Santo, o delegado adjunto Ícaro Olimpio orienta que candidatos desconfiem de qualquer processo seletivo que imponha urgência para o envio de dados ou utilize reconhecimento facial logo nas primeiras etapas.
Segundo o delegado, recrutadores costumam manter contato por canais institucionais, como e-mails corporativos e telefones oficiais. Contatos realizados por perfis pessoais em aplicativos de mensagens, promessas de contratação imediata e exigência de procedimentos incomuns devem ser encarados como sinais de alerta.
"A pessoa tem que se atentar para a questão da urgência. O criminoso coloca pressão dizendo que ela precisa fazer o reconhecimento facial ou fornecer dados o quanto antes, senão vai perder a vaga. Esse é um dos principais sinais", afirmou.
Ícaro Olimpio explicou ainda que a associação entre biometria facial e dados pessoais pode permitir a abertura de contas bancárias, contratação de linhas telefônicas, validação de cadastros e a prática de diversas outras fraudes em nome da vítima.
"Os criminosos podem utilizar o reconhecimento facial e o fornecimento de dados para a abertura de contas bancárias não autorizadas, validação de perfis e até abertura de linhas telefônicas. Eles podem usar isso para uma infinidade de golpes", destacou.
Como medida preventiva, o delegado recomenda que qualquer convite para participação em processos seletivos seja confirmado diretamente com o setor de Recursos Humanos da empresa, evitando decisões motivadas pela pressa.
"Recebeu um contato por telefone ou e-mail? Tente confirmar essa situação diretamente com o RH da empresa. Não confie apenas no primeiro contato e não aja com pressa", orientou.
A CEO da Center RH e mentora de carreira, Eliana Machado, informou que o reconhecimento facial não integra as etapas de recrutamento da empresa. Segundo ela, o candidato realiza apenas um cadastro com informações profissionais e pessoais básicas, podendo incluir uma fotografia, sem necessidade de biometria ou apresentação de documentos.
A especialista ressaltou que, na fase de seleção, o interesse está voltado à experiência profissional e ao perfil do candidato, e não à coleta de informações sensíveis. Por isso, recomenda cautela sempre que forem solicitados procedimentos incomuns antes mesmo da apresentação dos detalhes da vaga.
"Nós não pedimos nenhum tipo de reconhecimento facial. O candidato acessa o portal, faz o cadastro, pode colocar uma foto, se quiser, e informa escolaridade, experiências e dados pessoais. Nesse momento de seleção não é exigido nenhum documento", explicou.
Eliana Machado também orienta que candidatos verifiquem a credibilidade da empresa e confirmem a existência da vaga antes de compartilhar qualquer dado pessoal.
"Essa questão da biometria hoje nem para fazer a admissão é necessária. É preciso ter muita cautela. Antes de passar qualquer informação, procure saber qual é a empresa, se ela é idônea e se a vaga realmente existe", afirmou.
Caso a pessoa suspeite de ter sido vítima desse tipo de fraude, a Polícia Civil recomenda comunicar imediatamente a instituição financeira, verificar se houve abertura de contas em seu nome, consultar o sistema do Banco Central para identificar eventuais cadastros em instituições financeiras, preservar conversas, e-mails e demais registros do contato com os suspeitos, além de registrar boletim de ocorrência para subsidiar a investigação.
"É importante comunicar o banco, verificar se não houve abertura de contas em nome da pessoa, preservar todas as provas e registrar o boletim de ocorrência para que a polícia possa iniciar a investigação", concluiu o delegado.
Essa versão apresenta uma reestruturação profunda da narrativa, reduzindo significativamente a similaridade textual sem modificar os fatos, as declarações ou a atribuição das informações.
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