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A Fórmula 1 trabalha com um plano de contingência para o encerramento da temporada 2026 diante das incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio. Embora os Grandes Prêmios do Catar e de Abu Dhabi permaneçam previstos para novembro e dezembro, a categoria admite transferir a etapa final do campeonato para a Europa caso as condições de segurança não permitam a realização das provas na região.
A avaliação ocorre após a confirmação de que o GP do Bahrein será disputado em outubro, no Circuito de Sepang, na Malásia. Desde então, a organização segue acompanhando os desdobramentos do conflito antes de definir o futuro das últimas corridas do calendário.
O presidente da Fórmula 1, Stefano Domenicali, afirmou que diferentes possibilidades estão sendo analisadas, mas ressaltou que ainda não há definições.
"Existem algumas possibilidades em discussão, mas não acho correto fazer promessas ou antecipar certas coisas. Essa é a situação atual. Portanto, mesmo que eu realmente espere que não seja o caso, se a situação não nos permitir estar lá (no Oriente Médio), vamos encerrar o campeonato na Europa."
Os confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã afetam diversas áreas do Golfo Pérsico desde o início do ano. Bahrein, Arábia Saudita e Catar, países que integram o calendário da Fórmula 1, foram atingidos por sucessivos ataques, situação que levou a categoria, em março, a cancelar os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita nas datas originalmente previstas para abril.
Desde então, a Fórmula 1 mantém monitoramento constante do cenário para decidir sobre as etapas do Catar e de Abu Dhabi, localizada nos Emirados Árabes Unidos, país vizinho ao Irã, separado pelo Golfo Pérsico.
Abu Dhabi ocupa tradicionalmente a posição de última etapa do Mundial desde 2009, com exceção das temporadas de 2011, 2012 e 2013, quando o GP do Brasil encerrou o campeonato. O circuito possui contrato que garante essa condição ao menos até 2030.
Caso a mudança seja confirmada, será a primeira vez em quase três décadas que a decisão do Mundial ocorrerá em território europeu. A última ocasião foi em 1997, quando o GP da Europa, disputado em Jerez de la Frontera, na Espanha, encerrou a temporada que consagrou Jacques Villeneuve como campeão.
Ao longo do ano surgiram especulações sobre possíveis substituições das provas por circuitos de outras regiões, incluindo Fuji, no Japão. Enquanto isso, outras categorias já adotaram medidas preventivas. O Campeonato Mundial de Endurance (WEC), organizado pela Federação Internacional do Automobilismo (FIA), anunciou o cancelamento das etapas previstas para o Oriente Médio no fim da temporada.
Segundo Domenicali, a Fórmula 1 manterá o acompanhamento da situação antes de tomar qualquer decisão.
"Estamos em contato com todos os outros campeonatos. Sei que a WEC anunciou que não irá ao Oriente Médio no final do ano e permanecerá na Europa. A forma como estamos estruturados nos permite aguardar o tempo necessário para ver como a situação vai se desenvolver. E tomaremos a decisão no momento certo: esse momento não será antes de meados de setembro."
Nas últimas semanas também foi discutida a possibilidade de uma rodada dupla em Las Vegas, cuja corrida está marcada para 21 de novembro. No entanto, a proximidade do feriado de Ação de Graças, celebrado nos Estados Unidos em 26 de novembro, reduz a viabilidade da alternativa e fortalece a Europa como principal plano de contingência.
Apesar das incertezas, a categoria reforça que, neste momento, as duas corridas permanecem confirmadas. O GP do Catar segue programado para 29 de novembro, enquanto Abu Dhabi continua marcado para 6 de dezembro.
"Para nós, hoje, as corridas no Catar e em Abu Dhabi estão confirmadas. A propósito, os ingressos já estão esgotados. Isso é um sinal incrível de como o esporte é muito maior do que o problema que o nosso mundo está enfrentando. Mas, é claro, se a situação não estiver esclarecida da maneira que acreditamos que deve estar até meados de setembro, tomaremos a decisão. E, a esse respeito, só quero confirmar a vocês que, se essa opção não for mais viável, o final da temporada será na Europa, pois não poderemos ir a outros lugares."
Conflitos mantêm região sob monitoramento
Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio seguem influenciando o calendário do automobilismo internacional. Bahrein, Arábia Saudita e Catar foram alvo de ataques atribuídos ao Irã em resposta às ações militares dos Estados Unidos e de Israel no início do ano.
Em fevereiro, um míssil iraniano atingiu uma base da Marinha norte-americana no Bahrein, a cerca de 30 quilômetros do Circuito de Sakhir, durante os preparativos da Pirelli para testes de pneus com equipes da McLaren e da Mercedes. A atividade foi cancelada e integrantes das equipes permaneceram retidos no país até poucos dias antes do GP da Austrália.
Na Arábia Saudita, petroleiros foram atingidos em ataques recentes. Em março, um projétil militar caiu em uma área residencial de Al-Kharj, provocando duas mortes e deixando 12 feridos. No mesmo período, uma ofensiva contra a Base Aérea Príncipe Sultan deixou 12 soldados norte-americanos feridos.
Em junho, novos ataques com drones no Bahrein e na Arábia Saudita resultaram em quatro mortes e 12 feridos. Já no início de julho, o Bahrein voltou a ser alvo de drones direcionados contra bases militares dos Estados Unidos.
O Catar também registrou episódios de violência ao longo do ano. Em março, mísseis atingiram a capital Doha, levando autoridades a orientarem a população a permanecer em casa. Em junho, um bombardeio contra o complexo energético de Ras Laffan deixou 13 mortos e 66 feridos.
Ainda em julho, a interceptação de mísseis levou à evacuação do aeroporto de Doha. No mesmo mês, a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) atacou a base aérea norte-americana de Al-Udeid. Durante os confrontos, uma criança ficou ferida por estilhaços. O cenário permanece instável, marcado por sucessivos acordos de cessar-fogo seguidos de novas ofensivas.
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