Quatro pessoas foram presas nesta quinta-feira (6) durante uma operação da Polícia Civil que investiga um esquema de fraude envolvendo uma cooperativa de crédito no Sul do Espírito Santo. Segundo as investigações, o grupo teria movimentado mais de R$ 2 milhões.

Entre os presos está um funcionário da cooperativa, apontado pela investigação como responsável por alterar as selfies cadastradas nas contas de clientes. A suspeita é de que, com a mudança da imagem, ele conseguia acessar os valores e realizar transferências por meio do Pix.

Também foram presos a esposa do funcionário, Aline Dutra Ramos, e dois homens identificados como Renner de Souza Ribeiro e Rodrigo Pontes dos Santos.

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Investigação aponta alteração de selfies

Segundo a Polícia Civil, as irregularidades começaram em janeiro deste ano e foram identificadas pela própria cooperativa após a instituição perceber movimentações consideradas atípicas.

A investigação aponta que o funcionário substituía a fotografia dos clientes cadastrada no sistema por uma imagem própria. A partir desse procedimento, segundo os investigadores, eram realizadas transferências dos valores disponíveis nas contas.

Um dos episódios ocorreu em julho. Em apenas um dia, o funcionário teria realizado 80 transferências de R$ 10 mil, totalizando R$ 800 mil.

Após identificar a movimentação, a cooperativa demitiu o funcionário e comunicou o caso às autoridades. Conforme informado pela instituição, nenhum cooperado sofreu prejuízo financeiro em decorrência da ocorrência.

Operação Avaritia

As prisões ocorreram durante a Operação Avaritia, deflagrada nesta quinta-feira (6).

O funcionário investigado e a esposa foram encontrados em Marataízes. Já Renner de Souza Ribeiro e Rodrigo Pontes dos Santos foram presos em Itapemirim.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam cinco veículos, entre eles um Hyundai HB20 e um Volkswagen T-Cross, além de motocicletas. Também foram recolhidos mais de R$ 60 mil em dinheiro, aparelhos celulares, notebooks, joias, dezenas de cartões bancários, documentos e anotações.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de valores superiores a R$ 2 milhões nas contas dos investigados.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Polícia de Marataízes, Thiago Gomes Viana, a investigação identificou uma divisão de funções entre os envolvidos. Segundo ele, os investigadores também apuram a aquisição de bens com os valores que teriam sido obtidos por meio das fraudes.

Investigados são alvo de apuração

Conforme a Polícia Civil, os envolvidos são investigados pelos crimes de furto qualificado mediante fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de capitais.

As prisões e demais medidas determinadas pela Justiça fazem parte da investigação. Portanto, os envolvidos permanecem na condição de investigados, sem que isso represente condenação definitiva.

O nome da operação, Avaritia, é uma palavra de origem latina associada aos significados de “avareza” e “ganância”, segundo a Polícia Civil.

O que diz a cooperativa

Em nota, o Sicoob informou que identificou a irregularidade por meio de uma apuração interna e adotou as providências cabíveis.

A instituição declarou que comunicou o caso às autoridades competentes e que colabora com as investigações. O Sicoob também afirmou que nenhum cooperado foi prejudicado em decorrência do ocorrido.

A cooperativa reforçou ainda seu compromisso com a ética, a integridade, a transparência e a segurança das operações.

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