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A Europa segue enfrentando um cenário de eventos climáticos extremos que afetam diferentes regiões do continente. Neste domingo (2 de agosto), a Grécia registrava diversas frentes de incêndio florestal, enquanto a Hungria intensificava medidas para reduzir o consumo de energia diante da interrupção das operações de sua única usina nuclear, consequência da forte seca que atinge a região.
Na Grécia, especialistas estimam que mais de 12 mil hectares de florestas e áreas agrícolas tenham sido destruídos ao longo da última semana. Somente na região do Golfo de Corinto, levantamentos iniciais apontam que aproximadamente 6,5 mil hectares foram consumidos pelas chamas.
Entre as áreas mais atingidas está a vila costeira de Porto Germeno, localizada a cerca de 70 quilômetros a noroeste de Atenas, onde dezenas de residências foram danificadas ou destruídas. A localidade e comunidades vizinhas precisaram ser evacuadas após o avanço do fogo, enquanto aproximadamente 500 bombeiros permanecem mobilizados para conter o incêndio.
As operações de combate têm sido dificultadas pelas fortes rajadas de vento, que, em alguns momentos, impediram o abastecimento e o lançamento de água por aeronaves utilizadas nas ações de controle das chamas.
Após incêndios registrados durante a semana nas ilhas de Creta e Paros, um novo foco iniciado na noite de sábado atingiu a ilha de Cefalônia, no mar Jônico, provocando novas evacuações em uma das regiões turísticas do país.
Segundo o ministro da Proteção Civil da Grécia, Evangelos Tournas, o corpo de bombeiros foi levado ao limite diante da quantidade de ocorrências registradas. Ainda de acordo com as autoridades, três bombeiros morreram em serviço ao longo da semana, sendo dois em Creta e um na região do Peloponeso.
Na cidade de Agios Konstantinos, moradores também passaram a atuar diretamente no combate ao fogo para tentar impedir que as chamas alcançassem áreas habitadas. Um residente ouvido pela agência AFP afirmou que a população precisou agir porque não havia equipes suficientes para atender simultaneamente todos os focos de incêndio.
Enquanto isso, os grandes incêndios registrados recentemente na França e na Espanha apresentaram redução de intensidade durante o fim de semana, embora ainda mantenham extensas áreas sob monitoramento.
Na França, o maior incêndio florestal permanece contido após provocar a retirada de 224 mil pessoas, em uma operação apontada como a maior evacuação em tempos de paz da história do país. Apesar da estabilização do avanço das chamas, uma área de aproximadamente 420 quilômetros quadrados de floresta foi devastada em apenas dez dias.
Cerca de 3 mil bombeiros continuam mobilizados para combater focos remanescentes em Gironde e outro incêndio na região da Provença, que deixou de avançar, mas ainda não foi totalmente controlado.
Somando os incêndios registrados na França e na Espanha, mais de 300 mil pessoas precisaram abandonar temporariamente suas casas ou locais de férias durante o verão europeu.
Além dos incêndios, a estiagem também provoca impactos significativos em diversos países do continente. A redução do volume de água em importantes rios, entre eles o Danúbio e o Reno, compromete atividades econômicas, o transporte fluvial e a geração de energia.
Na Hungria, o nível do Danúbio atingiu a menor marca já registrada no país, obrigando a interrupção das atividades da única usina nuclear húngara pela primeira vez em mais de quatro décadas.
Diante da situação, o primeiro-ministro Peter Magyar classificou os próximos cinco dias como decisivos e fez um apelo para que empresas, administrações locais e moradores reduzam significativamente o consumo de energia, principalmente durante os horários de maior demanda.
A seca também provocou restrições no abastecimento de água em mais de 100 cidades e vilarejos, além de afetar o transporte hidroviário e o turismo.
Na Sérvia, a queda do nível do Danúbio alcançou o ponto mais baixo desde 1985, reduzindo a produção diária da principal usina hidrelétrica do país para cerca de 20% de sua capacidade, segundo informou o ministro da Energia.
Especialistas apontam que temperaturas mais elevadas e períodos prolongados de estiagem deixam a vegetação mais seca e inflamável, favorecendo a propagação rápida dos incêndios. Conforme dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, a Europa registra, desde a década de 1980, um ritmo de aquecimento superior ao dobro da média global.
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