Uma investigação conduzida dentro da Penitenciária Regional de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, terminou com a prisão de um policial penal de 47 anos, suspeito de facilitar a entrada de material não autorizado na unidade. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, o servidor teria aceitado levar os invólucros ao presídio mediante a promessa de receber R$ 1 mil.

O caso veio à tona depois que a administração penitenciária recebeu informações sobre a possível atuação do servidor no ingresso de materiais destinados a detentos. A partir disso, a direção passou a examinar registros do sistema de videomonitoramento da unidade.

A apuração ganhou novo elemento quando agentes realizaram uma revista em internos que estavam na escola do presídio e localizaram, com um dos estudantes, dois invólucros contendo material semelhante a fumo. O conteúdo foi encaminhado para análise pericial, que deverá esclarecer se a substância corresponde a uma droga ilícita ou ao chamado fumo sabiá, produto que não possui essa classificação.

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Com o avanço da verificação das imagens, a movimentação atribuída ao policial penal passou a integrar a apuração. De acordo com a Polícia Penal, o próprio servidor procurou posteriormente a direção da unidade e relatou como o material teria sido introduzido no estabelecimento prisional.

Em depoimento, o policial afirmou que havia sido procurado por detentos que lhe pediram para transportar os invólucros. Ainda segundo as informações oficiais, ele teria concordado com a proposta por razões pessoais e deixado o material em um banheiro, local em que um dos internos poderia recolhê-lo.

A investigação interna apontou que Alexander da Silva Fernandes teria retirado o material do banheiro e, posteriormente, entregue o produto a Aroldo Augusto Davel Silva.

Concluída essa etapa da apuração, a direção da penitenciária encaminhou o policial penal e os dois detentos à autoridade policial para as providências cabíveis.

Autuações

Segundo a Polícia Civil, o servidor Dalton Dallara Costa foi autuado em flagrante por corrupção passiva. Alexander da Silva Fernandes e Aroldo Augusto Davel Silva, de 39 e 42 anos, respectivamente, foram autuados por corrupção ativa. Os três foram encaminhados ao sistema prisional.

Dalton é servidor efetivo da Polícia Penal desde 2015 e exercia atividades internas na unidade de Cachoeiro de Itapemirim, incluindo acompanhamento de presos, escoltas e supervisão durante o banho de sol.

Investigação administrativa

O servidor também já respondia a um processo administrativo disciplinar relacionado a uma investigação iniciada em 2022. O procedimento anterior tratava de suspeitas de abandono de posto de trabalho e desobediência a ordens superiores.

Uma decisão publicada no Diário Oficial em 10 de setembro de 2026 determinou a suspensão do policial penal por dez dias. Conforme as informações divulgadas, a decisão ainda pode ser contestada e o prazo para recurso permanece em andamento.

Paralelamente à apuração criminal, a Polícia Penal instaurou novo procedimento correcional para examinar a conduta atribuída ao servidor. A investigação administrativa poderá resultar na abertura de outro processo disciplinar.

Dalton aguardava audiência de custódia.

A Associação dos Policiais Penais do Espírito Santo informou que acompanha o caso e presta suporte ao servidor.

Até a publicação das informações consultadas, não havia sido localizada manifestação da defesa dos envolvidos. O espaço permanece aberto para eventual esclarecimento.