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Entrevista: JADIR RODRIGUES
Diretor do Jornal Nova Geração
Edição jornalística: KAROLLINNI
Jornalista
A trajetória de Guerino Balestrassi na vida pública é marcada por três passagens pelo comando da Prefeitura de Colatina e pela atuação em diferentes esferas da administração pública. A experiência acumulada no Executivo municipal, no âmbito estadual e em instituições ligadas ao desenvolvimento econômico e à recuperação do Rio Doce compõe o repertório que agora pretende levar à disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.
Nesta entrevista ao Jornal Nova Geração, Guerino revisita momentos de sua trajetória administrativa, avalia transformações ocorridas em Colatina, reconhece desafios que permanecem no horizonte e expõe sua visão sobre temas como infraestrutura, mobilidade, saneamento, educação, saúde, desenvolvimento econômico e recuperação ambiental.
Ao tratar da possibilidade de representar Colatina e o Noroeste capixaba em Brasília, apresenta também suas prioridades para uma eventual atuação parlamentar e fala sobre o compromisso de prestar contas à população.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — O senhor esteve à frente da Prefeitura de Colatina em três períodos distintos. Ao olhar para a cidade que encontrou em 2001 e para aquela que administrou, quais transformações considera mais significativas de sua trajetória pública? E quais problemas, apesar dos avanços, ainda permanecem como desafios sem uma solução definitiva?
GUERINO BALESTRASSI — Quando assumi a Prefeitura pela primeira vez, em 2001, Colatina tinha enormes desafios de infraestrutura e precisava recuperar a confiança na capacidade do poder público de transformar a cidade. Ao longo desses anos, avançamos muito em urbanização, mobilidade, saneamento, educação, saúde e desenvolvimento econômico.
A transformação mais importante, na minha opinião, não está em uma única obra. Está na mudança de mentalidade: Colatina passou a planejar mais, buscar recursos fora do orçamento municipal e pensar o desenvolvimento com visão de longo prazo.
A Avenida Beira-Rio, o Porto Seco, a expansão da infraestrutura, as escolas, as unidades de saúde e, mais recentemente, os investimentos em contenção de encostas e modernização da cidade fazem parte dessa visão.
Mas seria irresponsável dizer que todos os problemas foram resolvidos. Colatina continua convivendo com desafios estruturais relacionados às encostas, às chuvas intensas, à drenagem, às cheias do Rio Doce e à mobilidade. São problemas que não se resolvem em um mandato. Exigem planejamento permanente, recursos e continuidade administrativa.
Minha convicção é que uma cidade nunca está pronta. O que precisamos garantir é que ela esteja sempre avançando.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Entre as obras, projetos e decisões administrativas que marcaram seus três mandatos, qual considera o principal legado de sua passagem pela Prefeitura? E há alguma escolha que, beneficiado pela experiência acumulada ao longo desses anos, o senhor faria de maneira diferente hoje?
GUERINO BALESTRASSI — Eu acredito que o principal legado foi demonstrar que Colatina pode pensar grande e executar projetos estruturantes. Mais do que construir obras, procuramos criar condições para que a cidade tivesse infraestrutura, qualidade de vida e capacidade de continuar se desenvolvendo.
Se eu tivesse que resumir esse legado, diria que ele está na combinação entre planejamento, capacidade de articulação e execução.
Um prefeito precisa cuidar da rua, da escola e da unidade de saúde, mas também precisa olhar para os próximos 20 ou 30 anos.
A experiência também ensina. Aprendi que uma obra isolada resolve um problema imediato, mas o melhor resultado acontece quando mobilidade, drenagem, saneamento, habitação e desenvolvimento urbano são pensados juntos.
Quem administra uma cidade aprende todos os dias, e a experiência serve justamente para que a próxima decisão seja melhor do que a anterior.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — A Avenida Beira Rio tornou-se uma das intervenções urbanísticas mais emblemáticas de sua primeira passagem pela Prefeitura. Que concepção de cidade orientou aquele projeto e, olhando para Colatina atualmente, o senhor entende que aquela visão permanece adequada ou precisaria ser ampliada e atualizada?
GUERINO BALESTRASSI — A ideia da Beira Rio sempre foi muito maior do que construir uma avenida. Nós queríamos aproximar a cidade do seu principal patrimônio natural, criar espaços urbanos e ampliar as possibilidades de mobilidade, lazer, convivência e desenvolvimento.
Naquele momento, Colatina precisava de novos espaços. A cidade crescia em uma geografia difícil, cercada por morros e pelo Rio Doce. A Beira Rio representava justamente uma alternativa de expansão e reorganização urbana.
O projeto ganhou força a partir de 2001 e foi incorporado ao planejamento estratégico do município, com uma visão que incluía lazer, cultura e qualidade de vida.
Hoje, eu diria que aquela visão continua correta, mas precisa ser atualizada. As cidades mudaram. Mobilidade urbana, acessibilidade, sustentabilidade, drenagem e adaptação às mudanças climáticas precisam fazer parte de qualquer projeto urbano contemporâneo.
Por isso, considero importante pensar novas intervenções não apenas como avenidas, mas como sistemas urbanos completos: trânsito, ciclovias, áreas de convivência, drenagem e valorização econômica.
A discussão sobre uma nova Beira Rio no lado Norte mostra que aquela ideia de criar vetores de desenvolvimento continua presente, mas precisa estar adequada às necessidades do nosso tempo.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Seu retorno à Prefeitura, em 2021, ocorreu em uma realidade bastante distinta daquela encontrada no início de sua trajetória. Encostas, drenagem, saneamento, mobilidade e infraestrutura estavam entre os desafios mais complexos. Qual foi a decisão mais difícil daquele período e qual obra ou iniciativa considera mais representativa de sua terceira gestão?
GUERINO BALESTRASSI — A decisão mais difícil foi estabelecer prioridades sabendo que as necessidades eram maiores do que a capacidade imediata de investimento do município.
Quando você assume uma cidade, encontra demandas em todos os bairros e todas são legítimas. Foi preciso escolher intervenções estruturais que não fossem apenas obras visíveis, mas que resolvessem problemas históricos.
Por isso, trabalhamos simultaneamente em contenção de encostas, drenagem, saneamento, mobilidade, educação e saúde.
Uma das iniciativas mais representativas foi justamente o enfrentamento das áreas de risco. A contenção da Avenida das Nações simboliza essa preocupação com segurança e infraestrutura urbana.
Ao mesmo tempo, considero muito representativa a modernização da gestão e o conjunto de investimentos realizados durante o período. Foram mais de R$ 300 milhões em investimentos e centenas de obras em diversas áreas entre 2021 e 2024.
Para mim, a marca daquela gestão foi não escolher entre cuidar do presente e pensar no futuro. Fizemos os dois.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Colatina convive historicamente com os efeitos das chuvas intensas, das áreas de encosta e das cheias do Rio Doce. Durante sua terceira gestão, foram adotadas medidas de contenção, monitoramento e prevenção. O município avançou de forma suficiente nessa área ou ainda existe um passivo estrutural que exigirá investimentos por muitos anos?
GUERINO BALESTRASSI — Avançamos, mas não diria que o problema está definitivamente resolvido. Seria uma ilusão imaginar que uma cidade com as características geográficas de Colatina consegue eliminar todos os riscos em poucos anos.
Foram realizadas obras de contenção em diversos pontos do município, além de investimentos em drenagem e infraestrutura. Foram intervenções de contenção em diferentes regiões e cerca de 250 quilômetros de drenagem e pavimentação de ruas e avenidas.
Mas existe, sim, um passivo estrutural que exigirá investimentos por muitos anos. E esse desafio se torna ainda maior com a intensificação dos eventos climáticos.
O caminho é não esperar a tragédia acontecer. Precisamos investir cada vez mais em prevenção, monitoramento, drenagem, mapeamento de áreas de risco e obras de engenharia.
Essa é uma agenda que exige união entre município, Estado e Governo Federal. Nenhuma prefeitura consegue enfrentar sozinha todos os desafios climáticos e geográficos de uma cidade como Colatina.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — O saneamento esteve presente como uma política de continuidade em seus diferentes governos, com investimentos em abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Por que essa área se tornou uma prioridade recorrente em sua trajetória e qual é, hoje, o principal obstáculo para que Colatina alcance uma estrutura de saneamento plenamente compatível com as necessidades do município?
GUERINO BALESTRASSI — Porque saneamento é saúde, qualidade de vida e preservação ambiental. Muitas vezes é uma política que não aparece tanto quanto uma grande avenida ou um prédio novo, porque boa parte da obra fica debaixo da terra. Mas é uma das áreas que mais transformam a vida das pessoas.
Desde os primeiros mandatos, nós investimos em redes de água e esgoto, reservatórios e sistemas de tratamento. Mais recentemente, anunciamos um pacote de quase R$ 48 milhões para ampliar o abastecimento e o esgotamento sanitário, incluindo obras em bairros e novas etapas da ETE Barbados. A meta anunciada era avançar para que Colatina tivesse todo o esgoto coletado e tratado.
O principal obstáculo hoje é a dimensão do investimento necessário para universalizar e modernizar toda a infraestrutura. A cidade cresce, surgem novas demandas e os sistemas precisam acompanhar esse crescimento.
Por isso, defendo continuidade. Saneamento não pode depender de eleição. É uma política de Estado e precisa de planejamento de longo prazo.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — O senhor também acumulou experiência relacionada à recuperação do Rio Doce. Na sua avaliação, como transformar uma agenda historicamente tratada sob a ótica ambiental em uma política de desenvolvimento capaz de produzir benefícios econômicos, sociais e urbanos para Colatina e para os demais municípios da região?
GUERINO BALESTRASSI — A recuperação do Rio Doce não pode ser entendida apenas como reparação ambiental. Precisamos transformar essa agenda em uma agenda de reconstrução econômica e social dos territórios.
Isso significa investir simultaneamente em saneamento, recuperação ambiental, agricultura, infraestrutura, saúde, geração de emprego e desenvolvimento sustentável.
O Reflorestar Doce, por exemplo, prevê mais de R$ 334 milhões para ações de recuperação ambiental associadas também à geração de oportunidades e renda para produtores rurais.
A Secretaria de Recuperação do Rio Doce vem trabalhando justamente com essa visão integrada. Até março de 2026, o Governo do Estado informou que as descentralizações realizadas, em andamento e em tratativas somavam cerca de R$ 1,4 bilhão em investimentos para os municípios da área de atuação.
Minha visão é simples: recuperar o Rio Doce é recuperar a capacidade de desenvolvimento da região. Não se trata apenas de reparar o que aconteceu. Trata-se de construir um novo futuro para as cidades e comunidades atingidas.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — O Porto Seco esteve entre as iniciativas associadas à estratégia de desenvolvimento econômico de seus primeiros mandatos. Diante das mudanças ocorridas na economia e na logística regional, quais setores o senhor considera hoje mais promissores para que Colatina amplie sua capacidade de atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer sua posição como polo econômico?
GUERINO BALESTRASSI — Quando implantamos o Porto Seco, nossa visão era posicionar Colatina de forma mais competitiva na logística regional. O Terminal de Cargas foi inaugurado em 2006 e está inserido em uma área estratégica, próxima à BR-259 e a polos industriais.
Hoje, precisamos atualizar essa estratégia. Vejo grande potencial na indústria de transformação, no agronegócio com maior valor agregado, na logística, na economia da saúde, na tecnologia e nos serviços especializados.
Colatina também tem uma característica muito importante: é um polo regional. Isso significa que precisamos fortalecer a cidade como centro de comércio, educação, saúde e serviços para todo o Noroeste capixaba.
A melhoria das conexões rodoviárias e logísticas será decisiva. Uma cidade que consegue produzir, processar e escoar sua produção com eficiência se torna naturalmente mais atraente para novos investimentos.
Meu foco é trabalhar para que Colatina não apenas receba empresas, mas consiga construir um ambiente econômico capaz de mantê-las, fazê-las crescer e gerar empregos qualificados.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Educação em tempo integral, ampliação da rede municipal de ensino, novas unidades de saúde, expansão das equipes de Saúde da Família e investimentos em saúde mental estiveram entre as políticas desenvolvidas durante sua gestão. Quais dessas áreas, na sua avaliação, ainda dependem de uma participação mais efetiva do Governo Federal para alcançar um novo patamar?
GUERINO BALESTRASSI — Todas dependem, em alguma medida, de uma cooperação maior entre os governos.
Os municípios estão cada vez mais assumindo responsabilidades que vão além da sua capacidade financeira. A atenção básica precisa ser fortalecida, mas também precisamos resolver o financiamento da média e alta complexidade, da saúde mental e do atendimento especializado.
Na educação, a ampliação do tempo integral exige infraestrutura, formação de profissionais e recursos permanentes. Não basta inaugurar uma escola. É preciso garantir a sustentabilidade daquele modelo.
A experiência de Colatina mostra que é possível avançar quando há parceria. Tivemos investimentos em escolas de tempo integral, unidades de saúde e reformas e ampliações em diferentes áreas.
O Governo Federal precisa ser um parceiro mais presente, especialmente no custeio contínuo. Construir é importante. Manter funcionando com qualidade é ainda mais importante.
Mas nós fizemos muito pela educação. Capacitamos profissionais e estagiários para melhor atendimento da educação especial, investimos em formação, desenvolvemos arranjos produtivos e inovamos com a construção do Centro de Ciências.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Ao longo de sua trajetória, o senhor também exerceu funções fora da Prefeitura e acumulou experiência na articulação entre municípios, Estado e União. O que essas experiências acrescentaram à sua compreensão sobre a administração pública e sobre a necessidade de cooperação entre os diferentes níveis de governo?
GUERINO BALESTRASSI — Acrescentaram uma certeza: nenhum ente público resolve sozinho os grandes problemas da população.
Minha experiência como prefeito, presidente da Amunes, presidente do Bandes, secretário estadual e, mais recentemente, à frente da Secretaria de Recuperação do Rio Doce me permitiu enxergar a administração pública de diferentes posições.
Como prefeito, você conhece o problema na ponta. Como gestor estadual, você percebe a importância da escala e da integração regional. E, ao dialogar com o Governo Federal, entende como decisões tomadas em Brasília podem facilitar ou dificultar a vida dos municípios.
Por isso, acredito no municipalismo. O Brasil precisa ouvir mais as cidades. É no município que as pessoas vivem, estudam, trabalham e procuram atendimento de saúde.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Toda administração pública produz resultados, mas também envolve decisões difíceis, limitações e escolhas que podem ser revistas com o passar do tempo. Qual foi o maior aprendizado que os três mandatos como prefeito lhe proporcionaram — especialmente aquele que o senhor acredita que só poderia ter adquirido exercendo diretamente a gestão de uma cidade?
GUERINO BALESTRASSI — O maior aprendizado foi entender que administrar é escolher prioridades sem perder a sensibilidade para as pessoas.
No gabinete, tudo parece urgente. Na rua, você percebe que cada problema tem um rosto. Uma família que precisa de uma unidade de saúde, um trabalhador preso no trânsito, uma criança que precisa de uma escola melhor, uma pessoa vivendo em uma área de risco.
Ser prefeito ensina que gestão não é apenas orçamento e planilha. É decisão humana.
Também aprendi que não existe solução perfeita. Existe a decisão possível naquele momento, com os recursos disponíveis e com responsabilidade.
E talvez o maior ensinamento seja este: quem administra precisa ter coragem para decidir, mas também humildade para ouvir e corrigir o caminho quando for necessário.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — O senhor chega à disputa por uma vaga na Câmara Federal depois de uma longa trajetória no Executivo municipal. O que muda, na prática, quando a responsabilidade deixa de ser administrar diretamente uma cidade e passa a ser representar seus interesses no Congresso Nacional?
GUERINO BALESTRASSI — Muda a ferramenta de trabalho, mas não muda o compromisso.
Como prefeito, eu tinha a responsabilidade direta de executar. Como deputado federal, o papel será criar condições para que os municípios consigam executar melhor.
Isso significa trabalhar na elaboração de leis, acompanhar o Orçamento da União, buscar recursos, defender projetos estruturantes e fazer a ponte entre os municípios, o Governo do Estado e Brasília.
Eu não quero chegar à Câmara Federal para perder o vínculo com as cidades. Pelo contrário. Quero levar a experiência de quem esteve na ponta.
O prefeito sabe exatamente o que significa ter um projeto pronto e não conseguir recursos. Sabe o que significa enfrentar burocracia, licitação, convênios e limitações orçamentárias.
É essa experiência prática que pretendo levar para Brasília.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Um deputado federal dispõe de instrumentos que um prefeito não possui, especialmente na elaboração de leis, na destinação de recursos e na articulação com o Governo Federal. O que um parlamentar com experiência de três mandatos no Executivo municipal pode efetivamente entregar a Colatina e à região que uma Prefeitura, sozinha, não teria condições de realizar?
GUERINO BALESTRASSI — Pode ajudar a transformar demandas locais em prioridades nacionais.
Um município sozinho tem limitações financeiras e institucionais. Um deputado pode atuar na defesa de recursos federais, acompanhar programas, trabalhar por mudanças legislativas e articular grandes projetos que ultrapassam os limites de uma única cidade.
Minha experiência me permite entender tanto o lado de quem precisa do recurso quanto o lado de quem precisa estruturar o projeto.
Quero trabalhar especialmente para trazer investimentos para infraestrutura regional, hospitais, saneamento, mobilidade e desenvolvimento econômico.
Também acredito que um deputado precisa ajudar os municípios a navegar pela estrutura federal. Muitas cidades perdem oportunidades porque não têm equipes técnicas suficientes para acompanhar editais e programas.
Minha proposta é ser um deputado presente, com capacidade de articulação e, principalmente, com conhecimento sobre como a administração pública funciona na prática.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Se eleito, quais serão suas prioridades para Colatina e para o Noroeste capixaba? E quais projetos concretos pretende defender em Brasília nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, saneamento, mobilidade, agricultura e desenvolvimento econômico?
GUERINO BALESTRASSI — Minha prioridade será trabalhar por uma agenda regional de desenvolvimento.
Na infraestrutura e mobilidade, quero defender investimentos nas conexões rodoviárias, nos acessos aos polos industriais e em projetos capazes de melhorar a integração de Colatina com o restante do Espírito Santo, com destaque para a duplicação da BR-259.
Na saúde, precisamos fortalecer a rede regional, ampliar a capacidade de atendimento especializado e garantir que os recursos federais cheguem efetivamente aos municípios. A região do Rio Doce já possui previsões importantes de investimentos em saúde dentro das ações relacionadas ao acordo de reparação, e Colatina está entre os municípios contemplados pelo planejamento divulgado.
Na educação, defenderei infraestrutura, inovação, tecnologia e ampliação das oportunidades para os jovens.
No saneamento, minha prioridade será trabalhar pela universalização da coleta e do tratamento de esgoto e pela ampliação da segurança hídrica.
Na agricultura, quero fortalecer a agricultura familiar, a agroindustrialização, a reservação de água e a melhoria das estradas rurais.
E no desenvolvimento econômico, vamos trabalhar para atrair investimentos, fortalecer a indústria, a logística e os pequenos negócios.
Não acredito em uma pauta única. O desenvolvimento regional acontece quando infraestrutura, educação, saúde e economia caminham juntos.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — A experiência acumulada na administração municipal também lhe permite conhecer de perto as dificuldades enfrentadas pelos prefeitos para transformar projetos em obras e políticas públicas efetivas. Na sua avaliação, quais são hoje os principais entraves para que os recursos públicos federais cheguem aos municípios com maior eficiência e produzam resultados concretos para a população?
GUERINO BALESTRASSI — Um dos maiores problemas é a distância entre quem cria o programa e quem precisa executá-lo.
Muitas vezes, o município tem uma necessidade urgente, existe recurso disponível, mas o processo é tão burocrático que o dinheiro demora a chegar.
Outro problema é a falta de capacidade técnica de muitos municípios para elaborar projetos e acompanhar todas as exigências. Precisamos simplificar processos, fortalecer o apoio técnico aos municípios e criar mecanismos de acompanhamento mais eficientes.
Também defendo maior previsibilidade. O prefeito precisa saber com quais recursos poderá contar para planejar uma política pública de longo prazo.
Minha experiência como prefeito me mostrou que o dinheiro público precisa chegar com responsabilidade, fiscalização e transparência, mas não pode ficar preso em uma burocracia que impede a obra de acontecer.
Brasília precisa compreender melhor a realidade de quem está na ponta.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Ao longo de sua trajetória política, o senhor passou por diferentes funções, contextos e momentos da vida pública. O que permaneceu essencialmente inalterado em sua maneira de fazer política e o que mudou de forma significativa na sua visão sobre gestão, poder público e representação política?
GUERINO BALESTRASSI — O que não mudou foi minha crença de que política precisa produzir resultados.
Nunca gostei da política baseada apenas no discurso. Eu acredito em planejamento, trabalho, diálogo e entrega.
O que mudou foi a dimensão da minha experiência. Hoje tenho uma visão muito mais ampla da relação entre município, Estado e União.
Quando comecei, pensava principalmente nos desafios imediatos de Colatina. Hoje, depois de ter passado por diferentes funções, consigo compreender melhor como uma decisão estadual ou federal pode impactar diretamente uma rua, uma escola ou uma unidade de saúde.
Também aprendi que ninguém administra sozinho. A boa política é construída com equipes competentes, diálogo institucional e participação da sociedade.
A experiência não diminuiu minha vontade de realizar. Pelo contrário. Ela me deu mais responsabilidade para saber onde e como podemos fazer melhor.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Colatina conhece o Guerino prefeito. Agora, o senhor busca apresentar ao eleitor o Guerino deputado federal. Qual é a principal diferença entre o projeto político que o senhor construiu no Executivo municipal e aquele que pretende levar para Brasília?
GUERINO BALESTRASSI — Como prefeito, meu compromisso era administrar diretamente uma cidade. Agora, o desafio é ampliar essa capacidade de atuação.
O Guerino deputado não será alguém distante de Colatina. Será alguém que vai levar para Brasília a experiência de quem conhece os problemas dos municípios e sabe como as decisões federais podem ajudar ou atrapalhar a gestão local.
Meu projeto político continua tendo a mesma origem: melhorar a vida das pessoas.
A diferença é a escala. Em Colatina, eu podia executar diretamente. Em Brasília, quero ajudar a criar as condições para que Colatina e os demais municípios capixabas tenham mais recursos, melhores leis, infraestrutura e oportunidades.
O objetivo continua sendo o mesmo: transformar experiência em resultado.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Pensando não apenas no próximo mandato, mas na Colatina das próximas duas décadas, qual considera hoje o maior risco para o desenvolvimento do município? E que decisão precisa ser tomada desde já para evitar que um problema atual se transforme em uma limitação estrutural para as próximas gerações?
GUERINO BALESTRASSI — O maior risco é Colatina deixar de planejar o futuro e passar a administrar apenas as urgências.
Uma cidade que não se prepara para as mudanças climáticas, para a transformação da economia e para as novas necessidades da população pode perder competitividade.
Precisamos tomar decisões agora sobre mobilidade, expansão urbana, saneamento, segurança hídrica, educação e desenvolvimento econômico.
Também precisamos criar oportunidades para os jovens. Se Colatina não conseguir oferecer emprego qualificado, inovação e perspectiva de crescimento, corremos o risco de perder talentos para outras cidades.
A decisão mais importante é retomar permanentemente o planejamento de longo prazo. Não podemos pensar apenas no próximo orçamento ou no próximo mandato. Precisamos pensar na Colatina que queremos deixar para nossos filhos e netos.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Uma candidatura ao Congresso Nacional também significa assumir compromissos perante o eleitorado. Caso eleito, quais resultados o senhor considera razoável que a população de Colatina e da região cobre de seu mandato ao longo dos quatro anos?
GUERINO BALESTRASSI — A população tem o direito de cobrar resultados concretos.
Pode me cobrar presença. Não pretendo ser um deputado que aparece na região apenas em período eleitoral.
Pode me cobrar articulação para trazer investimentos e defender os projetos prioritários dos municípios.
Pode me cobrar transparência sobre o destino das emendas e dos recursos que forem conquistados.
E pode me cobrar trabalho em Brasília em favor das cidades.
Ao final de quatro anos, eu quero poder apresentar resultados em investimentos, projetos estruturantes e atuação legislativa.
Deputado não pode ser medido apenas pelo número de discursos que faz. Precisa ser medido pelo impacto do seu trabalho.
Meu compromisso é prestar contas e manter um diálogo permanente com a população e com os municípios.
JORNAL NOVA GERAÇÃO — Para encerrar: depois de três mandatos como prefeito e diante da possibilidade de representar Colatina na Câmara Federal, por que o eleitor deveria confiar novamente em seu trabalho? E qual compromisso concreto o senhor está disposto a assumir publicamente, de modo que possa ser acompanhado, fiscalizado e cobrado pela população ao longo do mandato?
GUERINO BALESTRASSI — Eu acredito que confiança não se pede apenas com palavras. Ela se constrói com trajetória.
Tive a oportunidade de administrar Colatina em três mandatos e, ao longo da minha vida pública, assumir outras responsabilidades importantes. Cada função me deu experiência, mas também aumentou minha responsabilidade diante das pessoas.
O eleitor não precisa confiar em uma promessa abstrata. Pode olhar para aquilo que já fiz, para as obras, para os projetos e para a capacidade de articulação que construí ao longo dos anos.
Minha trajetória inclui a experiência no Executivo municipal, no Bandes, no Governo do Estado e, atualmente, na agenda de recuperação do Rio Doce.
O compromisso concreto que estou disposto a assumir é o de manter uma agenda permanente de prestação de contas.
Se eleito, quero que a população possa acompanhar quais recursos foram destinados, quais projetos foram defendidos, em que estágio estão as obras e quais resultados foram efetivamente entregues.
Porque mandato não pode ser uma procuração de quatro anos sem fiscalização. Eu quero ser cobrado.
E quero levar para Brasília aquilo que aprendi administrando uma cidade: quem sabe ouvir, planejar, articular e executar pode fazer muito mais.
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