Um manuscrito encontrado pela Polícia Federal durante uma busca na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, passou a integrar as peças públicas da investigação sobre o caso Master. O documento, localizado em uma churrasqueira da casa, contém a palavra “CAMARA”, seguida de nove nomes e números cuja natureza ainda não foi esclarecida pelos investigadores.

A apreensão ocorreu em 7 de maio, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo do relatório tornou-se público após a ampliação da retirada de sigilo de documentos relacionados ao caso.

Entre as anotações aparecem os nomes “Arthur”, “Hugo”, “Elmar”, “Luizinho”, “Adolfo”, “Isnaldo”, “Diego”, “Altineu” e “Netinho”, acompanhados, respectivamente, dos números 40, 10, 10, 10, 10, 5, 5, 5 e 5.

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A partir desses registros, a PF apontou como prováveis referências Arthur Lira, Hugo Motta, Elmar Nascimento, Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões. Os três nomes restantes não foram conclusivamente identificados no relatório policial. A corporação também registrou que os números ao lado dos nomes seriam, “provavelmente”, valores, ressalvando que o significado das anotações ainda demanda esclarecimento.

A circunstância em que o papel foi encontrado acrescentou outro elemento ao relatório da diligência. Conforme depoimento de uma funcionária da residência reproduzido pela PF, o manuscrito teria sido entregue a ela pelo senador para que fosse queimado. Segundo o relato, a orientação teria sido acompanhada da justificativa de que os documentos eram antigos ou não tinham utilidade. A funcionária afirmou, contudo, que não conseguiu destruí-los por falta de tempo. A documentação divulgada não estabelece, entretanto, o significado das cifras anotadas nem demonstra, por si só, que elas representem pagamentos, vantagens ou qualquer outra forma de relação financeira com os parlamentares citados. O próprio relatório policial registra que o manuscrito “carece de esclarecimento”.

Procuradas, as assessorias dos envolvidos apresentaram respostas distintas. A defesa de Arthur Lira informou que o deputado desconhece as anotações e que não poderia se manifestar sobre um registro que não reconhece. Elmar Nascimento, por sua vez, afirmou que os números não corresponderiam a valores e declarou não manter relação política com Ciro Nogueira. A assessoria de Nogueira informou que não se manifestaria sobre o achado. Outros parlamentares citados não haviam respondido até a publicação das informações consultadas.

A busca realizada na residência do senador também resultou na apreensão de US$ 27.735, € 1.555 e 890 liras turcas, além de relógios, aparelhos eletrônicos, uma BMW 440i e uma motocicleta Honda CB1000R. A PF registrou ainda a existência de outros bens e produtos de elevado valor no imóvel e mencionou ter identificado “sinais de riqueza aparente”, expressão utilizada no próprio relatório da diligência.

As apreensões estão inseridas em uma investigação mais ampla que apura a relação de Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a documentação divulgada, a PF investiga se o senador teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação favorável aos interesses da instituição no Congresso. Nogueira nega participação em atividades ilícitas e já classificou as suspeitas como uma tentativa de atingir sua honra.

Até o momento, o manuscrito encontrado na churrasqueira permanece como elemento sob investigação, sem conclusão pública sobre a origem, o significado dos números ou eventual relação entre os nomes registrados e as apurações conduzidas pela Polícia Federal.

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