A decisão do ex-governador Paulo Hartung de não disputar as eleições de 2026 levou o PSD a reavaliar sua estratégia política no Espírito Santo. Sem aquele que era considerado o principal nome da legenda para a corrida ao Palácio Anchieta, o partido passou a discutir novos caminhos para o pleito, entre eles a manutenção de uma candidatura própria ao Senado ou a formação de alianças com outras forças políticas.

No cenário nacional, o PSD também aposta em um projeto próprio para a sucessão presidencial. A legenda lançou recentemente a candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência da República, tendo o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como candidato a vice. Com posicionamento de centro-direita, o partido busca se consolidar como alternativa para eleitores que não desejam apoiar nem a continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).

No Espírito Santo, a direção estadual estudava apresentar uma chapa própria ao Governo do Estado. O planejamento previa Paulo Hartung como candidato ao Palácio Anchieta, acompanhado por um nome do próprio partido para a vice-governadoria. Entre as possibilidades mencionadas estavam a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, e o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon. O projeto também incluía a candidatura do deputado federal Sergio Meneguelli ao Senado, além da formação das chapas proporcionais.

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Esse cenário foi alterado na segunda-feira (3 de agosto), quando Hartung publicou uma nota em suas redes sociais informando que permanecerá exercendo sua "militância cidadã". Segundo sua assessoria de imprensa, a manifestação confirma que o ex-governador não participará das eleições deste ano.

Com a mudança no cenário político, dirigentes do partido passaram a discutir novas alternativas. Entre elas está a possibilidade de o PSD disputar as eleições sem integrar coligações na majoritária, concentrando esforços em uma candidatura própria ao Senado. Conforme a fonte da reportagem, a formação da chapa para a Câmara dos Deputados ainda é considerada um desafio para a legenda.

Um dos principais defensores dessa estratégia é o deputado federal Sergio Meneguelli, que reafirmou a intenção de disputar uma vaga no Senado. Após a decisão de Hartung, o parlamentar informou ter conversado com o presidente estadual do PSD e prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, de quem disse ter recebido a confirmação de apoio à sua pré-candidatura.

"Renzo tem um compromisso comigo, enquanto ele tiver a caneta na mão, eu serei candidato", afirmou Meneguelli.

Na avaliação do deputado, o partido poderia disputar o pleito sem apoiar previamente qualquer candidato ao Governo do Estado, deixando uma eventual composição para depois da definição das urnas.

"Ele não precisa ficar contra candidato nenhum. Pode dizer que vai apoiar aquele que ganhar, que o povo escolher. Na minha opinião, fica até mais fácil de dialogar depois, de sentar e compor. Se eu fosse o presidente, nós sairíamos sozinhos", declarou.

Meneguelli também avaliou que uma eventual aliança partidária dificultaria sua candidatura ao Senado. Segundo ele, no grupo ligado ao Republicanos existem as pré-candidaturas de Maguinha Malta (PL) e, com grandes chances de confirmação, de Evair de Melo (Republicanos). Já no grupo governista aparecem os nomes do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e da ex-senadora Rose de Freitas (MDB), cuja definição é aguardada durante a convenção do partido marcada para 5 de agosto.

O parlamentar informou ainda que convidou Lívia Vasconcelos para ocupar a primeira suplência de sua chapa ao Senado e afirmou que pretende manter sua candidatura independentemente da decisão oficial da legenda.

"Ofereci a Lívia ser minha primeira suplente. Eu só quero uma coisa: minha candidatura. Até se não tiver apoio do partido, não tem problema, eu me viro sozinho. Hoje, minha candidatura depende do presidente", disse.

Além da definição sobre a disputa majoritária, o PSD também avalia o peso político do tempo destinado à propaganda eleitoral em rádio e televisão, considerado um dos principais ativos da legenda nas negociações para possíveis alianças.

Nas últimas semanas, o partido era apontado como integrante do grupo político do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Entretanto, conforme relatado na fonte, a aproximação entre esse projeto e o PL reduziu o espaço destinado ao PSD, levando a legenda a ampliar as conversas com o grupo liderado por Ricardo Ferraço (MDB). Ainda assim, segundo a reportagem-base, também existem dificuldades para a obtenção de espaço na chapa majoritária desse grupo.

Nesta terça-feira (4), Renzo Vasconcelos cumpre agenda em Vitória, onde deverá se reunir com lideranças políticas para discutir os próximos passos da legenda. A expectativa é de que o encontro contribua para a definição da estratégia que será apresentada durante a convenção estadual do PSD, marcada para quarta-feira (5), às 18 horas, horário em que também ocorrerão as convenções do MDB e da federação União Progressista.

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