Um recém-nascido foi encontrado com vida em um lote vago no município de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), após uma cadela chamar a atenção de trabalhadores que atuavam nas proximidades. O caso ocorreu na sexta-feira (31) e passou a ser investigado pelas autoridades policiais.

A criança estava acomodada na estrutura de um sofá descartado, envolvida por uma toalha e parcialmente coberta por uma blusa de frio. Conforme as informações divulgadas, o bebê ainda permanecia com o cordão umbilical, indicando que o parto havia ocorrido poucas horas antes do resgate.

A descoberta aconteceu depois que a cadela, conhecida na região pelo nome de Meg, permaneceu latindo de forma insistente em direção ao terreno. O comportamento incomum despertou a atenção de funcionários de uma marmoraria localizada ao lado do lote.

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O empresário Mauro Santana contou que decidiu verificar o motivo da agitação do animal e foi até o local acompanhado por um caminhoneiro.

"Quando eu cheguei, vi a cachorrinha insistindo, latindo em direção ao local onde estava a criança. Aí eu falei: 'vou lá ver o que é'. Eu e um caminhoneiro fomos até lá e encontramos o bebê naquele estado", relatou.

Ao constatarem que o recém-nascido apresentava sinais vitais, os trabalhadores acionaram imediatamente a Polícia Militar e preservaram o local até a chegada da equipe.

"Quando percebemos que ele estava vivo, ele começou a chorar mais. Aí ligamos para o 190 e não mexemos em nada para não descaracterizar o local. A Polícia Militar chegou rapidamente e fez o socorro", afirmou Mauro.

Segundo o empresário, a aparência da criança indicava que o nascimento havia acontecido poucas horas antes.

"Ele ainda estava com o cordão umbilical. Pelo que vimos, parecia que tinha nascido havia pelo menos umas duas horas."

Mauro afirmou ainda que, embora o terreno seja frequentemente utilizado para o abandono de animais, nunca havia presenciado situação semelhante envolvendo um bebê.

Outro trabalhador que participou da ocorrência e preferiu não ser identificado afirmou que a atitude da cadela foi determinante para que a criança fosse localizada.

"Se não fosse a Caramelo, a cadelinha ali, podia ter sido pior. Ela sinalizou, mas não atacou o bebê."

De acordo com o sargento Cristiano Queiroz, da Polícia Militar, quando os militares chegaram ao terreno imaginaram, em um primeiro momento, que o bebê não havia sobrevivido.

"Ela estava totalmente imóvel. Nossa equipe acreditou que poderia estar em óbito. Quando vimos que ela se mexeu, prontamente fizemos o socorro."

O policial informou que o recém-nascido estava pouco protegido do frio, apesar das baixas temperaturas registradas durante a madrugada.

"Ela estava apenas com uma toalha e alguns pedaços de roupa. Eu mesmo comecei o serviço às 5h30 e estava com muito frio. É surpreendente como essa criança conseguiu sobreviver."

Cristiano Queiroz também comentou o impacto emocional da ocorrência.

"Depois que eu fui pai, ocorrência envolvendo criança mexe demais com a gente. Já vi muita coisa na carreira, mas criança realmente abala muito."

Após receber os primeiros atendimentos na UPA Leste, em Belo Horizonte, o bebê foi encaminhado para a Maternidade Odete Valadares, onde permanece internado. Segundo a Polícia Militar, o estado de saúde da criança é considerado bom.

Em nota, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informou que, em situações dessa natureza, comunica a Vara da Infância e Juventude e permanece responsável pela assistência ao recém-nascido até que a Justiça defina os encaminhamentos legais.

As investigações seguem conduzidas pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, que buscam identificar a pessoa responsável pelo abandono. As roupas encontradas junto ao bebê foram recolhidas para perícia e poderão contribuir com a apuração.

Segundo o sargento Cristiano Queiroz, uma blusa de frio preta encontrada com a criança é considerada, neste momento, uma das principais pistas.

"Estamos trabalhando para identificar se alguém viu recentemente alguma gestante usando essa vestimenta. No local não há câmeras de segurança, então contamos com o apoio da população."

O militar também fez um apelo para que a mãe procure as autoridades.

"Ela deve se apresentar. A polícia vai trabalhar incansavelmente para localizá-la."

O abandono de incapaz é tipificado no artigo 133 do Código Penal, cuja pena varia de seis meses a três anos de detenção, podendo ser ampliada caso a vítima sofra lesão grave ou morra em decorrência da conduta.

Levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil registrou 4.010 ocorrências de abandono de incapaz envolvendo crianças de até 9 anos em 2025. No ano anterior, foram contabilizados 3.448 casos, representando aumento aproximado de 16,3%.

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