A Justiça Eleitoral de São Paulo condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pagamento de uma multa fixada em R$ 15 mil devido à prática de propaganda eleitoral antecipada. A sentença, proferida na última terça-feira, 28 de julho, fundamentou-se em uma representação movida pela Comissão Executiva Estadual de São Paulo do Partido Missão. Além da penalidade financeira, foi determinada a remoção do vídeo com o discurso do canal oficial do chefe do Executivo no YouTube.

O processo analisou as declarações efetuadas pelo presidente durante um evento público realizado no dia 19 de maio. Na ocasião, o magistrado responsável pelo caso compreendeu que houve um pedido explícito de votos direcionado às ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva, atuais candidatas ao Senado Federal pelo estado de São Paulo.

Argumentação jurídica e absolvições

A decisão judicial apontou que a literalidade das falas proferidas no evento configurou estímulo direto ao voto antes do período legalmente permitido para o início das campanhas eleitorais. O valor da multa foi estabelecido acima do patamar mínimo legal em decorrência do cargo ocupado pelo emissor e do consequente alcance e repercussão institucional da manifestação pública.

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A defesa do presidente sustentou ao longo do processo que o pronunciamento possuía natureza estritamente institucional, rejeitando a tese de que teria ocorrido pedido explícito de votos.

Seguindo o parecer emitido pela Procuradoria Regional Eleitoral, a sentença penalizou exclusivamente o presidente. As candidatas Simone Tebet e Marina Silva foram absolvidas no âmbito da representação, sob a justificativa jurídica de que não foram apresentadas provas que comprovassem a participação de ambas na elaboração do texto ou o conhecimento prévio do teor das declarações.

Reações políticas

A representação inicial foi endossada pelo pré-candidato à Presidência da República pela legenda autora da ação, Renan Santos. Em nota oficial divulgada logo após a publicação da sentença, o representante partidário defendeu a isonomia no cumprimento das normas vigentes e assinalou que a fiscalização continuará sendo exercida junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para coibir eventuais novas infrações à legislação eleitoral.