A escolha do nome para ocupar a vice na eventual chapa presidencial de Flávio Bolsonaro teria provocado uma mudança de posição dentro do Progressistas (PP). Segundo reportagem publicada pela revista Veja neste sábado (15), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a receber autorização para buscar apoio entre diretórios estaduais da legenda, mas posteriormente perdeu respaldo dentro do partido.

De acordo com a publicação, o movimento teria sido conduzido pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Antes de Tereza Cristina ganhar espaço nas articulações, o próprio Nogueira teria sido considerado para a vaga de vice na chapa.

Ainda conforme a reportagem, a mudança ocorreu depois que vieram a público informações sobre relações de Ciro Nogueira com o banqueiro Daniel Vorcaro e em meio a investigações conduzidas por órgãos policiais. A Veja afirma que esse cenário teria pesado na decisão do partido de adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial.

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A publicação relata que Nogueira havia autorizado Tereza Cristina a buscar apoio entre as representações estaduais do Progressistas para tentar viabilizar seu nome. A senadora era apontada na reportagem como uma opção capaz de ampliar a presença da candidatura junto ao eleitorado feminino.

Posteriormente, segundo a apuração da revista, o presidente do partido teria atuado junto aos diretórios estaduais para que o apoio à parlamentar fosse retirado. A mudança teria ocorrido em razão do receio de possíveis desdobramentos envolvendo investigações policiais.

A reportagem também menciona que um aliado próximo de Ciro Nogueira teria recebido anteriormente uma promessa relacionada à possibilidade de evitar constrangimentos policiais envolvendo o senador às vésperas da eleição. A publicação afirma que esse episódio teria contribuído para a decisão de Nogueira de não avançar com a indicação.

Outro episódio citado pela Veja ocorreu no fim do ano passado, quando uma operação da Polícia Civil do Piauí alcançou um ex-assessor do senador em uma investigação sobre suspeitas de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis.

Segundo a revista, auxiliares próximos de Nogueira teriam avaliado que a operação poderia levar à apreensão de celulares e, a partir de eventuais elementos encontrados, resultar em novas linhas de investigação. A publicação também afirma que, nesse cenário, a Polícia Federal poderia posteriormente passar a atuar no caso.

A reportagem cita ainda investigações envolvendo o senador e possíveis relações com Daniel Vorcaro. Entre os pontos mencionados estão suspeitas de que Nogueira teria utilizado seu mandato em favor de interesses do banqueiro, além da apresentação de uma proposta relacionada à ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e alegações sobre o recebimento de benefícios, como pagamentos mensais, viagens e utilização de um imóvel de luxo.

Essas informações são apresentadas pela Veja como suspeitas e elementos de investigação, não como fatos definitivamente comprovados ou condenações judiciais. Não há, portanto, conclusão de responsabilidade criminal a partir dos episódios mencionados na reportagem.

Procurado pela revista para responder aos questionamentos, Ciro Nogueira não se manifestou, segundo a publicação.

O episódio ocorre em meio às articulações para a eleição presidencial de 2026 e à definição das alianças que poderão compor as chapas. A decisão do Progressistas de manter neutralidade na disputa também retirou da legenda a possibilidade, até o momento relatado pela Veja, de indicar Tereza Cristina para a vice de Flávio Bolsonaro.

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