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Pequenas peças plásticas encontradas em praias do Espírito Santo passaram a ser observadas em diferentes municípios do litoral. Os primeiros registros mencionados no caso ocorreram na Praia de Manguinhos, na Serra, e, posteriormente, materiais semelhantes também foram encontrados em praias de Vila Velha e Aracruz.
O Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram-ES) foi acionado para analisar os resíduos. De acordo com o diretor da instituição, Luís Mayorga, as equipes começaram a localizar as peças em 18 de junho e, quatro dias depois, o instituto encaminhou um ofício ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Nós vimos a reportagem, pedimos para as equipes ficarem atentas a resíduos na praia e começaram a encontrar no dia 18 de junho. A partir de 22 de junho já mandamos um ofício para o Ibama com as coordenadas, os locais e fotografias dos resíduos que encontramos”, disse Mayorga.
A identificação do material contou também com a avaliação do biólogo Daniel Gosser Motta, mestre em Biologia Animal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Segundo ele, as peças são conhecidas como MBBR (Moving Bed Biofilm Reactor) e são utilizadas em sistemas de tratamento de água e esgoto.
As estruturas também recebem o nome de biomídias e são desenvolvidas para oferecer superfície de aderência e abrigo para colônias de microrganismos.
A presença desse tipo de material no ambiente natural, entretanto, levanta uma preocupação apontada pelo diretor do Ipram. Mayorga explicou que não é possível determinar se os microrganismos eventualmente presentes nas peças encontradas nas praias são benéficos.
“Como é um ponto de aderência para microrganismos, a gente não sabe se saindo do sistema de filtragem de água, entrando no ambiente natural e chegando na praia, os microrganismos daqui serão benéficos. Então se peixes passarem a engolir, não sabemos se pode ser um ponto de infecção. A pessoa se alimenta do peixe e está se alimentando de microrganismos que estão aqui”, afirmou.
Relatos de moradores
Em Aracruz, o morador Diogo Lopes contou que vem encontrando as peças nas praias do município há aproximadamente três meses. Segundo ele, foi somente depois desses registros que tomou conhecimento de ocorrências semelhantes na Serra e em Vila Velha.
“Há mais ou menos uns três meses, eu comecei a visualizar esses pedaços de plástico na praia”, relatou.
As prefeituras de Vila Velha, Serra e Aracruz informaram que estão investigando o caso. A Companhia de Saneamento do Espírito Santo (Cesan), por sua vez, declarou que as peças não são utilizadas no sistema de tratamento da companhia.
Até as informações apresentadas, a origem das peças encontradas nas praias não havia sido identificada.
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