Um grupo formado por 157 empresários, executivos, economistas, acadêmicos e outras personalidades brasileiras tornou público, nesta quarta-feira (9), o manifesto “Pela Lei e pelo Brasil”, no qual defende a apuração dos fatos que vêm provocando uma crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e diferentes órgãos da República.

O documento surge em meio às repercussões do caso Master e às controvérsias envolvendo autoridades do Judiciário, da Polícia Federal e de outros setores do Estado. Os signatários sustentam que os episódios recentes justificam uma resposta institucional capaz de esclarecer responsabilidades e preservar a confiança nas instituições.

A iniciativa também disponibiliza uma petição pública aberta à adesão de outros cidadãos.

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Entre os nomes que subscrevem o manifesto estão o apresentador Luciano Huck, a empresária Luiza Helena Trajano, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, além dos economistas Ana Carla Abrão, Ana Paula Vescovi e Elena Landau. Também aparecem na relação o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, o compositor Nelson Motta e o ex-ministro da Casa Civil Pedro Parente.

Três reivindicações

O documento apresenta três pontos considerados pelos signatários como necessários diante do cenário atual.

O primeiro é a realização de uma apuração completa, célere e independente dos fatos e das responsabilidades eventualmente existentes.

A segunda proposta prevê o afastamento cautelar de pessoas que venham a ser formalmente investigadas, medida que, segundo o próprio manifesto, estaria vinculada à abertura de uma investigação oficial.

O terceiro pedido é a criação de um código de conduta de caráter vinculante para as cortes superiores e também para órgãos responsáveis por investigação e acusação.

A formulação das reivindicações ocorre em um momento de forte desgaste institucional. O debate ganhou novas proporções após a divulgação de informações relacionadas à relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, além do conflito posterior envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e decisões relacionadas à direção da Polícia Federal. Esses episódios são objeto de diferentes questionamentos e apurações, não equivalendo, por si só, a conclusões definitivas sobre eventual responsabilidade.

Mobilização anterior

O manifesto divulgado agora dá continuidade a uma mobilização iniciada em dezembro de 2025, quando um grupo semelhante defendeu a adoção de um código de conduta destinado à Suprema Corte.

Na nova manifestação, os signatários ampliam o alcance das reivindicações e colocam a necessidade de esclarecimento dos acontecimentos recentes no centro do debate.

Paralelamente, entidades empresariais também passaram a se manifestar sobre a crise. Um documento liderado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reuniu milhares de entidades representativas e pediu que o plenário do STF examine os fatos relacionados ao atual momento institucional.

O movimento evidencia que as controvérsias ultrapassaram o ambiente estritamente jurídico e passaram a mobilizar segmentos do empresariado, da academia e da sociedade civil. A questão central apresentada pelos manifestos, contudo, permanece concentrada na necessidade de apuração, transparência e definição de responsabilidades dentro dos parâmetros do devido processo legal.

A relação completa dos 157 signatários inclui representantes de diferentes setores da sociedade brasileira, entre empresários, economistas, acadêmicos, juristas e personalidades públicas.

JORNAL NOVA GERAÇÃO
“A VERDADE DOS FATOS”