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A estrutura subterrânea de Pickaxe Mountain, nas proximidades do complexo nuclear de Natanz, no Irã, passou a registrar neste ano o mais elevado nível de movimentação viária e obras desde o início do acompanhamento por imagens de satélite. A constatação integra uma nova análise do Center for Strategic and International Studies (CSIS), que examinou registros obtidos ao longo de seis anos para acompanhar a evolução da instalação.
Situado a cerca de 225 quilômetros ao sul de Teerã e aproximadamente dois quilômetros ao sul de Natanz, o complexo foi construído no interior de uma formação granítica e vem sendo observado por serviços de inteligência e especialistas como uma possível estrutura destinada a resguardar atividades relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Segundo o levantamento do CSIS, a movimentação registrada em 2026 representa uma mudança relevante no padrão observado anteriormente. As imagens indicam intervenções nas vias internas, reforço das áreas de acesso e modificações nas entradas dos túneis, além da retirada ou nivelamento de material proveniente das escavações.
O conjunto das evidências levou os analistas a identificar uma transição na natureza das obras. Depois de um período marcado sobretudo pela abertura e escavação do complexo, a atividade mais recente sugere avanço para uma etapa de construção interna, acompanhada pela continuidade do reforço das estruturas externas.
O que as imagens revelam
A análise utilizou diferentes fontes de observação por satélite, incluindo dados de radar e imagens ópticas de maior resolução. Registros obtidos em julho e agosto deste ano reforçaram a percepção de que houve intensificação das intervenções no local.
Entre os sinais identificados estão o endurecimento das superfícies das estradas, alterações nos acessos aos portais subterrâneos, reforços próximos às entradas e redução dos depósitos de material retirado durante as escavações.
Para os pesquisadores, esse padrão é compatível com uma instalação que deixou progressivamente a fase de escavação mais intensa e passou a concentrar esforços na consolidação de sua infraestrutura.
A interpretação, entretanto, não permite determinar com segurança o que existe atualmente no interior da montanha.
O próprio CSIS afirma que as imagens analisadas não permitem confirmar nem descartar a informação atribuída à inteligência israelense de que o Irã teria levado centrífugas de enriquecimento de urânio para Pickaxe Mountain. Da mesma forma, os registros disponíveis não demonstram que a instalação esteja atualmente realizando enriquecimento.
Um dos elementos considerados pelos analistas é justamente a ausência, nas imagens, de sinais externos que indiquem uma mudança correspondente no nível de segurança ou a presença de veículos e equipamentos que poderiam estar associados a uma operação nuclear. A avaliação é de que, diante do padrão de construção observado, há razões para considerar que o complexo ainda não esteja em plena atividade de enriquecimento, caso essa seja de fato sua finalidade.
Estrutura de difícil acesso
A localização subterrânea é um dos principais fatores que conferem relevância estratégica ao complexo. Enterrada em uma formação de granito e protegida por estruturas reforçadas, Pickaxe Mountain é considerada um alvo particularmente complexo para eventuais operações militares.
A profundidade exata da instalação não pode ser estabelecida com precisão apenas pelas imagens disponíveis. Estimativas divulgadas em fontes abertas apontam para dezenas de metros abaixo da superfície, mas os próprios analistas ressaltam as limitações desse tipo de cálculo, já que a quantidade de material retirado durante uma escavação não permite, por si só, reconstruir a configuração dos túneis.
O local ganhou ainda maior atenção depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Pickaxe Mountain poderia ser alvo de uma ação militar. Em declaração recente, Trump indicou que os Estados Unidos poderiam atacar a região em breve.
A possibilidade de uma operação, contudo, envolve dificuldades técnicas. O CSIS avalia que mesmo armamentos convencionais de grande poder de penetração podem encontrar limitações diante da profundidade e das características geológicas da estrutura.
A instalação também passou a integrar discussões dentro do governo norte-americano sobre alternativas para atingir estruturas subterrâneas consideradas difíceis de alcançar. Informações reportadas pela CNN indicam que autoridades de defesa dos Estados Unidos avaliaram possibilidades de ação contra instalações profundamente enterradas no Irã.
Atividade não significa necessariamente operação nuclear
Apesar da intensidade das obras, os dados disponíveis não permitem concluir que Pickaxe Mountain esteja funcionando como uma instalação de enriquecimento de urânio.
Essa distinção é central para a compreensão do caso. O que as imagens demonstram com maior segurança é a continuidade e a aceleração da construção. Já a finalidade operacional do espaço permanece objeto de avaliação por especialistas e serviços de inteligência.
O histórico do complexo ajuda a explicar essa cautela. O Irã já havia indicado que a instalação seria utilizada para atividades relacionadas à produção e montagem de componentes de centrífugas. Posteriormente, surgiram avaliações de inteligência segundo as quais o local poderia assumir função mais ampla dentro da estrutura de proteção de seu programa nuclear.
A nova análise do CSIS acrescenta um dado importante a esse cenário: a construção não apenas continuou como apresentou, em 2026, o nível mais elevado de atividade viária observado desde o início do monitoramento.
Ainda assim, a natureza exata das atividades realizadas no interior da montanha permanece sem confirmação pública.
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