O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) deflagrou nesta quinta-feira (20) a sétima etapa da Operação Abutres, investigação que apura um suposto esquema de adulteração de documentos utilizado para obtenção indevida de indenizações por meio do Sistema Indenizatório Simplificado (Novel), administrado pela Fundação Renova.

A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Norte), em conjunto com a Promotoria de Justiça Criminal de Linhares. Nesta fase, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça: dois em Baixo Guandu, um na Ilha do Boi, em Vitória, e outro em Vila Velha.

A mobilização contou com a participação de promotores de Justiça e servidores do MPES, além de 11 agentes da Agência de Inteligência da Assessoria Militar do órgão e oito policiais do Batalhão de Missões Especiais (BME).

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Segundo os elementos reunidos na investigação, os documentos supostamente adulterados incluíam comprovantes de residência, contas de água e energia elétrica, boletos, registros escolares e comprovantes relacionados a atendimentos de saúde.

De acordo com o MPES, essas alterações teriam sido utilizadas para criar uma aparência de vínculo territorial entre os requerentes e regiões atingidas pelo desastre ocorrido em 2015, em Mariana (MG), envolvendo a Samarco. A finalidade, conforme a apuração, seria permitir o acesso a recursos indenizatórios aos quais os beneficiários não teriam direito.

Os processos já submetidos a auditoria apresentam um prejuízo estimado superior a R$ 8 milhões. O cálculo informado na investigação considera tanto os valores de indenizações que teriam sido liberados de maneira indevida quanto os honorários advocatícios incidentes sobre essas quantias.

Além das buscas, a 3ª Vara Criminal de Linhares determinou medidas de natureza patrimonial contra os alvos da investigação. A decisão inclui o sequestro e a indisponibilidade de imóveis, veículos e contas bancárias, com o objetivo de assegurar eventual ressarcimento dos valores.

As apurações permanecem em andamento. Segundo as informações apresentadas pelo MPES, a investigação ainda busca identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar a extensão do suposto esquema.

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