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Os ônibus do Sistema Transcol que atendem os bairros Padre Gabriel e Jardim Campo Grande, em Cariacica, voltaram a circular na manhã desta sexta-feira (21) com acompanhamento da Polícia Militar. A operação havia sido interrompida na noite anterior depois que um coletivo da linha 580, que faz o trajeto Padre Gabriel–Terminal do Ibes, foi incendiado.
Segundo a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES), as linhas da região operam normalmente nesta sexta-feira, com apoio policial durante a circulação dos veículos.
O incêndio ocorreu no bairro Jardim Campo Grande, vizinho a Padre Gabriel, horas depois da morte de Pablo Ferreira de Oliveira, de 6 anos, atropelado por um ônibus do Transcol no final da manhã de quinta-feira (20).
Antes do incêndio, moradores de Padre Gabriel realizaram um protesto após a morte da criança. Os manifestantes percorreram ruas da região com cartazes e pediram justiça.
Circunstâncias da morte da criança
Segundo relatos de familiares à TV Vitória/Record, Pablo havia almoçado e saído para brincar de bicicleta na rua. Uma prima da vítima relatou que uma obra em uma via principal teria provocado a alteração temporária do trajeto do ônibus, fazendo com que o coletivo passasse pela rua onde o menino estava.
Ainda conforme esse relato, o ônibus teria acessado a via e encontrado um caminhão no sentido contrário. Durante a manobra realizada pelo motorista, o coletivo teria precisado dar marcha a ré e, nesse momento, atingido a criança.
Após o acidente, o motorista deixou o local e posteriormente se apresentou em uma base da Polícia Militar. Segundo a versão apresentada, ele afirmou que não havia percebido o atropelamento e que somente tomou conhecimento do ocorrido depois de ser avisado por moradores.
A Polícia Militar informou que o motorista foi submetido ao teste do bafômetro, cujo resultado foi negativo.
A GV-Bus, empresa responsável pelo coletivo, informou em nota que lamenta o acidente e presta apoio à família da vítima. Segundo a empresa, a criança estaria em uma área de ponto cego do ônibus, fora do campo de visão do motorista durante a manobra. A empresa também afirmou que o condutor só teria percebido o acidente depois de ser alertado por terceiros e que, em seguida, se dirigiu à delegacia para prestar esclarecimentos.
A família, porém, apresentou outra manifestação. Ana Maria Gomes, prima de Pablo, afirmou que, até a tarde de quinta-feira, os familiares ainda não haviam sido procurados pela empresa e cobraram uma resposta e apoio diante da morte da criança.
Obra alterou trajeto do ônibus
Moradores relataram que a rua onde ocorreu o acidente é considerada tranquila e que normalmente não recebe circulação de ônibus. A alteração do itinerário ocorreu, segundo as informações fornecidas, em razão de uma obra realizada em outra via do bairro.
O serviço foi executado pela EDP na Rua Margarida Maria Alves e, conforme informado pela empresa, os trabalhos ocorreram das 11h às 18h15.
A EDP afirmou que o local estava sinalizado e que apenas uma faixa da rua havia sido interditada, permitindo a passagem de um veículo por vez. A empresa também informou que os moradores foram comunicados previamente sobre a intervenção na rede elétrica por meio de cartas personalizadas.
Ônibus é incendiado após protesto
Na noite de quinta-feira, depois do protesto realizado pelos moradores, um coletivo da linha 580 foi cercado por um grupo de homens em Jardim Campo Grande.
Segundo a Polícia Militar, os passageiros foram obrigados a desembarcar antes que o veículo fosse incendiado. Imagens registradas por moradores mostram o ônibus tomado pelas chamas na entrada do bairro.
Ainda de acordo com a PM, o fogo atingiu fiações e provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica e de internet para moradores da região.
Em razão do incêndio, as viagens das linhas que atendem a área foram suspensas durante a noite. Nesta sexta-feira (21), o serviço foi retomado com escolta da Polícia Militar, conforme informado pela Ceturb-ES.
Até as informações fornecidas para esta reportagem, não havia identificação dos responsáveis pelo incêndio do coletivo.
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