O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quarta-feira, durante a convenção nacional do PSB, que pretende enfrentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no campo da narrativa política, afirmando que não irá "baixar a cabeça" diante da atual crise diplomática entre os dois países. O evento, realizado em Brasília, oficializou o apoio da legenda à candidatura de Lula à reeleição e confirmou Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente na chapa.

Ao discursar para os participantes da convenção, Lula afirmou que não busca confronto militar, mas disse que pretende disputar a narrativa dos acontecimentos.

"O cara (Trump) diz que tem o maior avião do mundo, a maior bomba atômica do mundo, o maior Exército do mundo: eu quero brigar com ele, porra? Eu só tenho vocês (dirigindo-se à plateia), cara! Eu não quero briga. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa: quem tá falando a verdade ou quem tá falando a mentira."

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O presidente também declarou que "ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras". A afirmação ocorreu após mencionar a negativa de concessão de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que, segundo ele, viajariam ao Brasil para se reunir com integrantes da oposição.

Ainda durante o pronunciamento, Lula comentou declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, feitas em uma convenção de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo o presidente brasileiro, não responderá aos ataques por considerar que sua relação institucional deve ocorrer entre chefes de Estado.

"Esta semana tive que negar o visto para dois jovens que estavam mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras. Nós negamos o visto. Vocês viram a pataquada que fizeram aqui com o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado para chefe de Estado do povo argentino. E não vou ficar trocando coisa com aquela coisa."

Ao abordar a pandemia de Covid-19, Lula voltou a criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro e atribuiu a ele responsabilidade pelas mortes registradas no período.

"Veio a Covid e o SUS finalmente conseguiu ter a visibilidade por conta da decência dos médicos, enfermeiros, faxineiros, motoristas, que colocavam a vida em risco para salvar quem estava nas mãos de um homicida chamado Bolsonaro, que foi responsável por mais da metade dos mortos."

Na mesma cerimônia, Lula destacou a atuação de Geraldo Alckmin como vice-presidente e afirmou que ele representa estabilidade, lealdade e compromisso com o país.

"O Geraldo é aquela garantia que todo mundo precisa. É aquela pessoa que você pode deitar com certeza absoluta de que ele está trabalhando para que as coisas deem certo no país. E eu posso dizer que, com Alckmin, a gente nunca vai pensar que vai dormir e vai ter um golpe no dia seguinte de amanhã. Porque o Alckmin, antes de tudo, é um homem de muita lealdade, de muita capacidade de trabalho e de muita honestidade. Eu sou muito grato em ter o Geraldo como meu vice."

Em seu discurso, Geraldo Alckmin fez críticas ao que classificou como "extremistas", afirmando que grupos políticos atuam contra os interesses nacionais e utilizam "o nome de Deus em vão".

"Pátria é a união, não é entreguismo. Não é você trabalhar lá fora contra o interesse do nosso país, contra o emprego, contra as empresas, de maneira servil. Família. Família é a paixão. Não é possível falar em família (como os extremistas falam). Nós temos 700 mil famílias enlutadas na Covid, pelo descaso do governo frente à doença."

Na sequência, Alckmin defendeu a democracia e criticou atitudes que, segundo ele, buscam enfraquecer o processo democrático.

"Não é possível falar em liberdade, querendo derrubar a democracia. A democracia é a guardiã da liberdade. Não é possível falar em liberdade como no segundo turno da última eleição, utilizando o aparato do Estado para impedir as pessoas de votarem legitimamente, tentando impedir a eleição, propondo a derrubada de governo eleito."

Ao concluir sua fala, o vice-presidente declarou:

"Aliás, quem não acredita na democracia não devia nem disputar a eleição, não devia pedir o voto para o povo brasileiro."

Esta foi a segunda convenção partidária de aliados da qual Lula participou durante o período eleitoral. Na semana anterior, o presidente esteve na convenção do PDT, também em Brasília, ocasião em que desafiou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a criar um comitê em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).