O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite deste domingo (23), que a percepção de aumento dos preços entre os brasileiros está relacionada a mudanças nos hábitos de consumo, ao custo dos juros e ao maior volume de compras. A declaração foi dada durante entrevista à TV Record, em conversa com a jornalista Mariana Godoy.

Ao comentar o cenário econômico, Lula reconheceu que a taxa Selic permanece elevada e defendeu a necessidade de ampliar a educação financeira da população. Segundo o presidente, a facilidade de realizar compras pelo celular pode levar consumidores a acumular pequenas despesas que, somadas ao longo do mês, ultrapassam o valor inicialmente previsto.

Durante a entrevista, Lula afirmou ser favorável ao consumo, mas ressaltou que os gastos devem estar de acordo com a renda de cada pessoa. Ele também mencionou a possibilidade de criação de um programa voltado à educação em economia popular.

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Na avaliação apresentada pelo presidente, a percepção de que os preços estão elevados não estaria relacionada apenas ao valor dos produtos, mas também ao comportamento dos consumidores. Lula associou esse cenário aos juros e ao aumento da utilização e aquisição de bens e serviços.

O presidente também apresentou dados relativos ao seu governo e fez comparações com a gestão anterior, comandada por Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, afirmou que, em sua avaliação, houve melhora em diferentes indicadores do país.

Endividamento e patrimônio

A declaração ocorreu poucos dias depois de Lula defender o que classificou como uma forma saudável de endividamento. Na semana anterior, o presidente havia afirmado que não é contrário ao fato de uma pessoa assumir uma dívida, desde que o compromisso financeiro esteja relacionado à melhoria da qualidade de vida ou ao aumento de seu patrimônio.

Na ocasião, a manifestação ocorreu durante comentários sobre dívidas relacionadas a jogos de azar. Lula diferenciou esse tipo de endividamento daquele que, segundo ele, pode ter como finalidade investimentos capazes de ampliar o patrimônio ou melhorar as condições de vida.

Na entrevista deste domingo, o presidente também respondeu a uma provocação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Durante a semana, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que oferecia carne e refrigerante a jornalistas que estavam do lado de fora de uma estrutura de campanha em Brasília.

Na gravação, o senador fez referência à promessa de campanha de Lula envolvendo o acesso dos brasileiros à carne, mencionando especificamente a picanha. Ao comentar o episódio, Lula afirmou que seus adversários deveriam acompanhar os dados do IPCA em vez de, segundo suas palavras, recorrer a ações de caráter promocional.

A entrevista do presidente foi transmitida na mesma noite do primeiro debate entre candidatos à Presidência realizado pela Band. Lula não participou do encontro, assim como Flávio Bolsonaro e Romeu Zema.

O debate contou com Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).

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