O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de uma investigação pela Polícia Federal (PF) para apurar as atividades do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A linha de investigação busca esclarecer se o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou em um suposto esquema de tráfico de influência para favorecer os interesses de Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pelos investigadores como operador de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A suspeita da corporação é de que o empresário possa ter atuado como sócio oculto em um empreendimento voltado ao comércio de cannabis medicinal e utilizado influência política junto ao Ministério da Saúde em benefício dos negócios de Antunes. A PF analisa transferências bancárias que totalizam R$ 1,5 milhão destinadas à empresa de consultoria da empresária Roberta Luchsinger, que possui ligações com Fábio Luís. Os investigadores avaliam se as transações configuram ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

De acordo com os elementos colhidos pela Polícia Federal, há indícios de um repasse direto de R$ 300 mil de Antunes para a empresa de Roberta, com menções em mensagens interceptadas ao "filho do rapaz". Os policiais também solicitaram o compartilhamento de provas da Operação Sem Desconto para verificar se há alguma conexão com os desvios bilionários sofridos por aposentados e pensionistas.

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Perfil e Histórico do Investigado

Fábio Luís Lula da Silva tem 51 anos e é o filho primogênito de Lula e Marisa Letícia. Formado em Biologia pela Universidade Paulista (Unip), ele iniciou sua trajetória profissional como estagiário no Zoológico de São Paulo. Posteriormente, migrou para a iniciativa privada, tornando-se empresário e sócio de uma empresa voltada ao mercado de jogos eletrônicos e consultoria.

Essa não é a primeira vez que os negócios do empresário entram na mira das autoridades. Em 2019, ele foi investigado pela Operação Lava Jato sob a suspeita de receber repasses de uma operadora de telefonia. Contudo, em 2020, todas as investigações e processos foram oficialmente arquivados pela Justiça, sem nenhuma condenação criminal ou civil contra ele.

A Operação Sem Desconto

A investigação principal de onde derivaram as novas suspeitas apura irregularidades cometidas por associações de classe. Tais entidades firmavam Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS para descontar mensalidades diretamente da folha de pagamento de beneficiários em troca de convênios e serviços.

De acordo com dados da PF, o montante movimentado por essas associações saltou de R$ 617 milhões em 2019 para R$ 2,8 bilhões em 2024. Antônio Carlos Antunes, apontado como o operador central do esquema, teria movimentado R$ 24,5 milhões em um intervalo de cinco meses atuando como procurador das entidades.

Manifestações das Defesas e Envolvidos

Nota Jurídica e Contraditório: Os fatos descritos integram sede de investigação preliminar supervisionada pelo STF, não configurando acusação formal ou condenação. Todos os citados negam as irregularidades e mantêm a presunção de inocência preservada.

  • Defesa de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha): Os advogados classificaram a abertura do procedimento como uma medida de motivação política. Afirmaram que o inquérito paralelo demonstra a ausência de vínculos entre o empresário e as fraudes previdenciárias. Confirmaram que uma viagem de Fábio Luís a Portugal foi custeada por Antunes para conhecimento da produção de canabidiol, mas ressaltaram que ele não firmou parcerias societárias ou comerciais após o evento.

  • Roberta Luchsinger: A empresária declarou que os valores recebidos em suas contas são decorrentes de serviços legítimos prestados na área de regulação do mercado farmacêutico de canabidiol. Afirmou que apresentou Fábio Luís a Antunes estritamente no âmbito de contatos profissionais do setor.